Amazônia teve 67% das áreas protegidas sem desmatamento nos últimos nove meses

De agosto de 2025 a abril de 2026, 262 terras indígenas e 220 unidades de conservação registraram desmatamento zero na região

25/05/26

As áreas protegidas da Amazônia têm se mostrado uma estratégia eficiente de proteção ambiental. Nos últimos nove meses, de agosto de 2025 a abril de 2026, 262 terras indígenas e 220 unidades de conservação registraram desmatamento zero, o que corresponde 67% das áreas protegidas da região. Os dados são do instituto de pesquisa Imazon, que monitora a Amazônia por imagens de satélite desde 2008.

Além disso, outras 120 terras indígenas e 86 unidades de conservação registraram áreas desmatadas menores de 1 km² nesse período, o que representa outros 28% das áreas protegidas da Amazônia. “Historicamente, as áreas protegidas são os territórios que menos registram desmatamento. Por isso, é muito importante que os governos federal e dos estados priorizem áreas públicas ainda sem uso definido na Amazônia para a criação de terras indígenas e unidades de conservação, uma ação efetiva para chegar à meta de desmatamento zero em 2030”, afirma a pesquisadora do Imazon Larissa Amorim.

A queda no desmatamento não ocorreu apenas nas áreas protegidas. Em toda a Amazônia, conforme o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, a derrubada florestal apresentou redução de 35% nos últimos nove meses, entre agosto de 2025 e abril de 2026. Nesse período, a derrubada chegou a 1.635 km², a menor em oito anos. 

Agosto representa o primeiro mês do chamado “calendário do desmatamento”, que encerra em julho. “Quando comparamos com o ciclo de agosto de 2020 a abril de 2021, em que registramos os maiores índices de devastação, observamos uma diminuição de aproximadamente 74% na perda de floresta. Esses registros são positivos, mas precisamos dar continuidade e intensificar as ações de fiscalização e controle ambiental na região”, afirma Larissa.

Quando se analisa apenas o mês de abril, foram registrados 175 km² de floresta destruídas, resultado que representa uma baixa de 25% em relação ao mesmo intervalo de 2025 e reforça o cenário de diminuição.

“A redução do desmatamento contribui para diminuir as emissões de gases de efeito estufa e ajuda a preservar funções essenciais da floresta, além de garantirem os direitos dos povos tradicionais e reforçarem os compromissos internacionais do Brasil com a sustentabilidade”, afirma o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.

Pará, Mato Grosso e Amazonas lideram o desmatamento

No acumulado do calendário, Pará, Mato Grosso e Amazonas lideraram a perda de cobertura vegetal na Amazônia. Apesar da concentração nesses territórios, o cenário geral trouxe um resultado favorável: todos apresentaram retração nos índices registrados ao longo da série atual, com exceção de Roraima.

Segundo a pesquisadora do Imazon Manoela Athaide, o comportamento observado nos estados demonstra que as ações de controle ambiental vêm produzindo efeitos em diferentes partes da Amazônia, embora ainda existam áreas que demandem maior atenção. “Houveram avanços importantes, mas é necessário fortalecer estratégias específicas nos locais onde a pressão continua elevada para evitar novos aumentos e consolidar a proteção da floresta”, afirma.

EstadoDesmatamento agosto de 2024 a abril de 2025Desmatamento agosto de 2025 a abril de 2026Variação
Pará918467-49%
Mato Grosso522340-35%
Amazonas428257-40%
Roraima19123624%
Acre287195-32%
Rondônia9873-26%
Maranhão6261-2%
Amapá74-43%
Tocantins173-82%

Apenas três estados registraram degradação em abril

O cenário acumulado para a degradação também aponta um ritmo de retração. No calendário do desmatamento, foram contabilizados 2.336 km² afetados por esse tipo de dano florestal, índice 93% menor que o observado no recorte equivalente iniciado em 2024. Na análise, Mato Grosso permanece na liderança das ocorrências, sendo responsável por mais da metade dos registros identificados em toda a Amazônia.

Mesmo com a queda registrada no calendário, a degradação florestal na Amazônia alcançou 50 km² em abril de 2026, o que representa um crescimento de 100% em relação ao mesmo intervalo do ano passado e uma perda de cinco mil campos de futebol no mês.

A degradação florestal foi detectada em apenas três estados: Mato Grosso, Pará e Roraima, com Mato Grosso concentrando 78% de toda a área impactada.
 

RankingEstadoDegradação entre Agosto 2024 a Abril 2025 (km²)Degradação entre Agosto 2025 a Abril 2026 (km²)Variação (%)
1Mato Grosso92431296-86%
2Pará17461683-96%
3Amazonas297153-98%
4Roraima626911%
5Maranhão95823-98%
6Rondônia271873-97%
7Acre7210850%
8Tocantins32124-93%
9Amapá357-80%

Clique aqui para ver os dados de abril de 2026
Clique aqui para ver todos os boletins de desmatamento e degradação

Comment

Este site foi desenvolvido pela NOTABC