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Apenas 13 das 38 plantas frigoríficas do Pará controlam fornecedores diretos, aponta Radar Verde
20/02/26Entre as 38 plantas frigoríficas ativas no Pará, apenas 13 demonstram controle sobre as fazendas fornecedoras diretas, e nenhuma apresenta controle comprovado sobre fornecedores indiretos, segundo avaliação do Radar Verde. O resultado evidencia limites nos mecanismos atualmente adotados para controlar a origem do gado na cadeia pecuária.
Esse cenário se insere em um contexto territorial de alto risco socioambiental. Com mais de 25,5 milhões de cabeças de gado, o Pará possui o segundo maior rebanho da Amazônia Legal, respondendo por cerca de 24% do total regional. A produção está fortemente concentrada no sudeste e sudoeste do estado.
De acordo com a avaliação, as unidades frigoríficas analisadas operam em zonas potenciais de compra que abrangem extensas áreas sob risco de desmatamento, o que amplia a complexidade do controle da cadeia. A ausência de monitoramento das fazendas fornecedoras indiretas, envolvidas nas etapas de cria, recria e engorda, limita a capacidade das empresas frigoríficas de prevenir a entrada de gado associado ao desmatamento na cadeia formal.
A análise considera as 38 plantas frigoríficas ativas, com inspeção estadual (SIE) e federal (SIF), distribuídas em 27 municípios paraenses. Para cada unidade, o Radar Verde avaliou as zonas potenciais de compra de gado, cruzando essas informações com dados oficiais de desmatamento histórico, alertas recentes, áreas embargadas, áreas legalmente protegidas e projeções de risco futuro.
Zonas potenciais de compra de gado das empresas frigoríficas no Pará e sua relação com o grau de compromisso contra o desmatamento e a exposição ao risco de desmatamento. Fonte: Radar Verde (2025).
Limites dos atuais compromissos
A avaliação também abrange empresas frigoríficas signatárias do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com o Ministério Público Federal. No conjunto analisado pelo Radar Verde, 61% das empresas frigoríficas são signatárias do TAC, enquanto 39% não aderiram ao acordo. Embora o TAC represente um instrumento relevante de governança da cadeia da carne, os resultados indicam que a adesão formal não assegura, por si só, um controle efetivo da origem do gado, uma vez que o acordo não exige de forma sistemática o monitoramento dos fornecedores indiretos.
Diante desse quadro, o Radar Verde destaca a importância de políticas públicas estruturantes, como o Sistema de Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará (SRBIPA), criado no âmbito do Programa de Pecuária Sustentável do Pará. A rastreabilidade individual do rebanho é apontada como um instrumento-chave para ampliar a transparência, reduzir lacunas de informação e fortalecer a capacidade de fiscalização da cadeia produtiva.
Apesar dos avanços iniciais, o adiamento do cronograma do programa para 2030 pode comprometer a previsibilidade regulatória e a efetividade dessa política no curto e médio prazo, especialmente diante das crescentes exigências de mercados nacionais e internacionais por cadeias livres de desmatamento.
Transparência e avaliação independente
Os resultados reforçam que a redução consistente do desmatamento associado à pecuária no Pará depende da combinação entre controle territorial, transparência empresarial e políticas públicas robustas. Avaliações independentes como o Radar Verde contribuem para identificar assimetrias de desempenho, diferenciar compromissos formais de práticas efetivas e oferecer subsídios técnicos para decisões de gestores públicos, empresas, investidores e da sociedade civil.
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