Imazon apresentará mapeamento de áreas úmidas na COP15 das Espécies Migratórias
24/03/26
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Estima-se que 40% de todas as espécies de plantas e animais vivem ou se reproduzem nesses ecossistemas
O maçarico rasteirinho é uma das espécies de aves migratórias da Amazônia (Foto: UFMA)(Foto: Projeto-Boto)
Ecossistemas que combinam ambientes aquáticos e terrestres, as áreas úmidas são essenciais para a preservação de espécies migratórias, principalmente de aves e de peixes. Porém, o mapeamento, o monitoramento e as políticas de proteção a esses territórios ainda são insuficientes no Brasil. Por isso, o Imazon apresentará sua metodologia pioneira de mapeamento das áreas úmidas da Amazônia durante a 15ª Conferência das Partes (COP) da Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), chamada de COP15 CMS.
O evento acontece de 23 a 29 de março, em Campo Grande (MS), no Pantanal. O objetivo do evento é promover a cooperação internacional para a proteção de espécies que atravessam fronteiras terrestres, marinhas e aéreas, fortalecendo a conectividade ecológica e a conservação de ecossistemas compartilhados.
A Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS), também conhecida como Convenção de Bonn, é um tratado das Nações Unidas criado em 1979, que entrou em vigor em 1983. Atualmente, conta com 133 países signatários, entre eles o Brasil, que ratificou a convenção em 2013. A primeira COP da CMS foi realizada em 1985, em Bohn, na Alemanha. Desde então, vem sendo realizada em média a cada 3 anos.
O boto-vermelho é uma das espécies aquáticas migratórias da Amazônia (Foto: Projeto-Boto)
Importância das áreas úmidas para espécies migratórias
Estima-se que 40% de todas as espécies de plantas e animais vivem ou se reproduzem em áreas úmidas. Apenas em relação à biodiversidade aquática, mais de 100 mil espécies já foram mapeadas nesses ecossistemas — número que está crescendo com novas pesquisas. De 1999 a 2009, cerca de 260 novas espécies foram descobertas na Amazônia.
O preocupante é que as áreas úmidas estão desaparecendo três vezes mais rápido que as florestas devido às atividades humanas e ao aquecimento global. Em 2026, o Imazon publicou um estudo inédito que mostrou que 18% da Amazônia é composta por áreas úmidas, o que corresponde a 77 milhões de hectares. Além disso, a pesquisa alertou que quase metade desses ecossistemas amazônicos está fora de territórios protegidos.
Esses e outros resultados do monitoramento das áreas úmidas serão apresentados na COP15 pelo pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr., que participará de forma remota no evento “Paisagens aquáticas, vulnerabilidades e oportunidades: fortalecendo áreas protegidas e Sítios Ramsar para a conservação de espécies migratórias no Brasil”. O encontro acontece no dia 27 de março, sexta-feira, das 9h às 10h, na Sala Tululú do Espaço Conexão Sem Fronteiras, na Casa do Homem Pantaneiro.
Pesquisador Carlos Souza Jr. é coordenador do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon (Foto: Arquivo Imazon)
EVENTO Paisagens aquáticas, vulnerabilidades e oportunidades: fortalecendo áreas protegidas e Sítios Ramsar para a conservação de espécies migratórias no Brasil
Data: 27 de março, sexta-feira Horário: das 9h às 10h Local: Sala Tululú do Espaço Conexão Sem Fronteiras, na Casa do Homem Pantaneiro (COP15 CMS, Campo Grande/MS)
Desafios e oportunidades para a proteção, conservação e manejo de áreas úmidas do bioma Amazônia
Authors
Carlos Souza Jr.; Suelma Ribeiro Silva; Lucimara W. Schirmbeck; Júlia Ribeiro; Bruno Ferreira; Ives Brandão; Cícero Augusto.
Year:
2026
Publication
Medium:
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)
Publication Medium:
Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)