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Pesquisador do Imazon faz apresentação sobre pecuária em universidade da China
01/04/26
Com o tema “Como o Brasil pode reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, fortalecer a produção de alimentos - e como isso pode reforçar a estratégia de segurança alimentar de longo prazo da China?”, Paulo Barreto se apresentou na New York University Shanghai
Texto por Paulo Barreto
Como o Brasil pode reduzir as emissões e, ao mesmo tempo, fortalecer a produção de alimentos — e como isso pode reforçar a estratégia de segurança alimentar de longo prazo da China?
Este foi o ponto de partida da minha apresentação na NYU Shanghai.
A questão é estrutural. O Brasil é um dos principais fornecedores de carne bovina para a China, e a pecuária é a maior fonte de emissões de gases de efeito estufa no país, principalmente devido ao desmatamento e às emissões de metano. Ao mesmo tempo, as mudanças climáticas já estão afetando as condições de produção no Brasil, com a redução das chuvas e o aumento do déficit hídrico. Isso impacta a produtividade, os custos e a estabilidade do abastecimento.
O ponto-chave é que as soluções para as emissões e para a segurança alimentar estão alinhadas.
Evidências do Brasil mostram que, quando o desmatamento diminui, os produtores aumentam o investimento na restauração de pastagens degradadas e na melhoria da produtividade. O Brasil possui mais de 100 milhões de hectares de pastagens degradadas, o que representa uma grande reserva de potencial produtivo sem a necessidade de expansão para áreas florestais.
As políticas públicas têm desempenhado um papel importante na redução do desmatamento. No entanto, o progresso da sustentabilidade depende de uma demanda estável por padrões mais elevados.
Nesse contexto, o papel da China já tem sido construtivo.
A demanda por carne bovina de maior qualidade — como a de animais com menos de 30 meses — tem sido associada a preços mais elevados e mudanças nas práticas de produção. Os produtores que abastecem esse segmento investiram mais na recuperação de pastagens, no melhoramento genético e na suplementação alimentar. Consequentemente, houve ganhos de produtividade, incluindo maior peso das carcaças. Há também evidências de efeitos regionais, com maior adoção dessas práticas em áreas conectadas às cadeias de suprimento para exportação.
Essa experiência ilustra como a demanda por qualidade pode apoiar ganhos de eficiência e melhor uso da terra, sem que a questão seja encarada como uma restrição à oferta.
Existe uma maneira pragmática de continuar progredindo.
O fortalecimento dos sinais que valorizam a consistência, a qualidade e a confiabilidade no abastecimento pode reforçar as melhorias contínuas na produtividade e na eficiência do uso da terra. Isso contribui para condições de produção mais estáveis ao longo do tempo, o que está alinhado com os objetivos de segurança alimentar a longo prazo.
Em paralelo, uma maior transparência nas cadeias de suprimentos ajuda a reduzir os riscos operacionais e de reputação. Ferramentas como o Radar Verde fornecem informações que podem apoiar a tomada de decisões, identificando empresas e regiões que estão avançando em produtividade e gestão de terras.
A conclusão é que melhorar o desempenho das áreas de produção existentes — em vez de expandir para novas áreas — oferece um caminho para aumentar a confiabilidade do abastecimento, reduzir as emissões e apoiar sistemas alimentares resilientes.
Não se trata de impor condições. Trata-se de alinhar incentivos com resultados que beneficiem tanto produtores quanto consumidores a longo prazo.
Minha apresentação foi baseada principalmente neste relatório: Lições da Expansão da Pecuária no Brasil (2000–2023) para uma Produção Sustentável e Eficiente.
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