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Pesquisadores do Imazon apresentam estudos em seminário de áreas protegidas
Os trabalhos destacam a experiência de quem vive nos territórios como protagonista
17/04/26
Integrantes da equipe do Programa de Áreas Protegidas do Imazon durante o II SIGAP. (Foto: Armando Ribeiro/ Imazon)
O Imazon participa do II Seminário Internacional de Gestão de Áreas Protegidas (II SIGAP), entre os dias 15 e 17 de abril. O encontro reúne especialistas para apresentar estudos que contribuem para o aprimoramento da conservação e da governança socioambiental na Amazônia.
O evento ocorre em Manaus e é organizado pelo Programa de Pós-Graduação em Gestão de Áreas Protegidas na Amazônia (MPGAP), do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Quatro pesquisadores do Imazon apresentam trabalhos em formato de banner, abordando temas estratégicos para a região. As pesquisas dialogam com desafios atuais da Amazônia, como o monitoramento ambiental, a conservação da biodiversidade e o fortalecimento de políticas públicas.
“Os estudos apresentados reforçam a importância de integrar o conhecimento científico às experiências de populações que vivem nas regiões brasileiras legalmente protegidas, ampliando a efetividade das políticas ambientais e a implementação de soluções adaptadas à realidade local”, afirma Jakeline Pereira, diretora do Programa de Áreas Protegidas do Imazon.
A participação no II SIGAP também fortalece o intercâmbio entre pesquisadores, gestores públicos e demais atores envolvidos na agenda ambiental, promovendo o compartilhamento de evidências e o avanço de iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia.
Confira os trabalhos apresentados:
Monitoramento participativo da biodiversidade no Programa Grande Tumucumaque: contribuições de monitores indígenas para a análise de respostas ecológicas às mudanças climáticas
Autor/a principal: Jarine Reis
Resumo:
O monitoramento sistemático da biodiversidade em áreas protegidas amazônicas constitui uma estratégia fundamental para compreender como os ecossistemas respondem às mudanças climáticas e para subsidiar a gestão adaptativa desses territórios. No Norte do Pará, o Programa Grande Tumucumaque vem estruturando um sistema de monitoramento de longo prazo, com participação de atores locais. Este trabalho tem como objetivo apresentar a experiência de implementação do monitoramento da fauna com a participação de monitores indígenas, destacando sua contribuição para a geração de dados ecológicos e para o fortalecimento da gestão territorial. As atividades foram realizadas na Estação Ecológica Grão-Pará, com a participação de nove monitores indígenas da Terra Indígena Parque do Tumucumaque (aldeias Boca do Marapi e Santo Antônio), que historicamente mantêm relações com a área, previamente capacitados para atuar na coleta de dados em campo. O monitoramento seguiu o Protocolo Florestal do Programa Monitora/ICMBio, por meio da realização de censos visuais padronizados de mamíferos de médio e grande porte e aves cinegéticas ao longo de trilhas permanentes. A capacitação dos monitores abordou conceitos básicos de biodiversidade, procedimentos de coleta de dados, organização das equipes e orientações de segurança, garantindo alinhamento metodológico e qualidade na execução das atividades. Os resultados indicam que a participação dos monitores indígenas foi fundamental para a execução do monitoramento, contribuindo para a ampliação do esforço amostral e para a consistência dos dados obtidos. Além disso, a presença dos monitores favoreceu a leitura do ambiente a partir do conhecimento local, enriquecendo a interpretação dos registros de fauna e fortalecendo o vínculo entre monitoramento científico e uso tradicional do território. A experiência demonstra que o monitoramento participativo constitui uma abordagem estratégica para o acompanhamento de mudanças ambientais graduais, especialmente aquelas associadas às mudanças climáticas. Ao mesmo tempo, contribui para o fortalecimento do protagonismo indígena e para a consolidação de modelos de gestão compartilhada em áreas protegidas de grande escala na Amazônia.
Confira o banner da pesquisa aqui.
Pesquisadora Jarine Reis apresentando seu trabalho sobre o monitoramento da biodiversidade no Programa Grande Tumucumaque. (Foto: Armando Ribeiro/ Imazon)
Percepção dos moradores sobre as áreas protegidas do Norte do Pará
Autor/a principal: Daniel Pinheiro
Resumo: No norte do estado do Pará localiza-se o maior bloco de florestas tropicais protegidas do Planeta, com aproximadamente 22,3 milhões de hectares, distribuídos entre Unidades de Conservação (56%), Terras Indígenas (40%) e Territórios Quilombolas (4%), em oito municípios. Essas áreas protegidas integram o Centro de Endemismo Guiana, região de elevada relevância biológica, caracterizada por altos níveis de endemismo, com cerca de 40% das espécies de fauna e flora restritas a esse território. A população local é composta por mais de sete mil habitantes, entre quilombolas, ribeirinhos, extrativistas e indígenas de 20 povos, alguns em isolamento voluntário. Os modos de vida dessas populações baseiam-se no uso direto dos recursos florestais como caça, frutos, cipós, palhas, óleos vegetais, além da agricultura familiar e da pesca. Nas últimas décadas, a região tem sido submetida a pressões antrópicas crescentes, como o avanço do garimpo, o desmatamento, a pesca predatória e a expansão de monoculturas, fatores que ameaçam tanto a integridade da biodiversidade quanto os modos de vida das populações tradicionais. Nesse contexto, o presente estudo teve como objetivo avaliar o conhecimento e a percepção dos moradores acerca das áreas protegidas e de sua relevância socioambiental. A pesquisa foi conduzida por meio de entrevistas semiestruturadas aplicadas a 1.280 residentes de áreas urbanas e rurais dos municípios paraenses de Faro, Terra Santa, Oriximiná, Óbidos, Alenquer, Monte Alegre, Prainha, Almeirim e Santarém.
Os resultados da pesquisa serão divulgados em breve pelo Imazon.
Pesquisador Daniel Costa durante a apresentação da pesquisa “Percepção dos moradores sobre as áreas protegidas do Norte do Pará”. (Foto: Armando Ribeiro/ Imazon)
Protagonismo local e sustentabilidade: análise do Turismo de Base Comunitária na Floresta Estadual de Faro - PA
Autores/as principais: Jeferson Figueira e Stephanie Jenane
Resumo: O Turismo de Base Comunitária (TBC) constitui um modelo de governança no qual a comunidade local exerce o protagonismo na idealização, planejamento, organização e gestão das atividades turísticas. Essa configuração assegura que os benefícios econômicos, sociais e culturais permaneçam com os moradores. A Floresta Estadual de Faro (Flota Faro) situada no norte do Pará, é uma unidade de conservação de uso sustentável com 525.434 hectares, inserida no maior bloco contínuo de áreas protegidas em floresta tropical do mundo, caracterizado por elevada diversidade biológica. Nela estão estabelecidas duas comunidades tradicionais ribeirinhas - Português (42 famílias) e Monte Sião (13 famílias), - cujos modos de vida estão fundamentados no uso sustentável dos recursos naturais. O presente estudo tem por objetivo descrever e analisar o TBC como estratégia de geração de renda e valorização sociocultural na Flota Faro.A abordagem metodológica baseou-se na coleta e análise de dados primários referentes às atividades desenvolvidas ao longo de 2024, considerando indicadores de participação social e impacto econômico. Os resultados evidenciam que o TBC na região é uma iniciativa endógena, protagonizada pelos próprios comunitários, tendo gerado uma receita total de R$ 30.800,00 no período analisado, com benefício direto a 38 indivíduos. Destaca-se a expressiva participação feminina (n = 24), em comparação com os homens (n =14), além do engajamento de jovens nas atividades. As experiências ofertadas compreendem vivências imersivas no modo de vida ribeirinho amazônico, incluindo contemplação da paisagem, banhos em igarapés, passeios de canoa, observação de fauna, trilhas interpretativas, produção de artesanato e gastronomia local. Tais práticas evidenciam a integração entre conservação ambiental, valorização cultural e turismo sustentável. Conclui-se que TBC configura-se como uma estratégia viável de geração de renda na Flota Faro, promovendo a permanência das populações em seus territórios e fortalecendo processos de gestão participativa e práticas alinhadas à cultura regenerativa. Ademais, o modelo contribui para a salvaguarda de conhecimentos tradicionais e para a conservação da biodiversidade local.
Confira o banner da pesquisa aqui.
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