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PrevisIA: inteligência artificial aponta 5,5 mil km² com risco de desmatamento na Amazônia em 2026
29/01/26Plataforma indica áreas sob ameaça de derrubada com objetivo de auxiliar ações de proteção territorial e manter a floresta em pé
Mapa mostra áreas sob cinco categorias de risco de desmatamento: muito alto, alto, moderado, baixo e muito baixo
A queda na derrubada da Amazônia observada nos últimos três anos precisa continuar para que o Brasil chegue a 2030 com a meta de desmatamento zero cumprida. Por isso, é essencial que as ações de proteção da floresta sejam direcionadas às áreas mais ameaçadas, desafio que pode contar com a tecnologia como aliada. Nos últimos cinco anos, a plataforma de previsão de desmatamento por inteligência artificial PrevisIA tem indicado os territórios com maior risco de perda florestal com assertividade média de 68% a até 4 km das áreas apontadas. Para 2026, a ferramenta indicou que 5.501 km² estão sob risco de desmatamento na Amazônia.
O objetivo da plataforma é auxiliar ações de proteção da floresta. Ou seja: evitar a derrubada estimada. “A assertividade da PrevisIA reduziu em 2025 com a queda do desmatamento, o que foi muito positivo para o Brasil, país anfitrião da COP30. Além disso, se tivermos acesso aos dados sobre as áreas onde ocorreram as operações de combate ao desmatamento em 2025, poderemos estimar o quanto de floresta foi efetivamente poupada, fornecendo evidências irrefutáveis de que as intervenções conseguiram evitar a destruição”, afirma Carlos Souza Jr., coordenador do programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, instituto de pesquisa que criou a ferramenta.
Além de indicar as áreas, a ferramenta ainda as classifica conforme cinco categorias de risco: muito alto, alto, moderado, baixo e muito baixo. “O objetivo dessa classificação é fornecer informações detalhadas do risco de desmatamento para governos, setor privado e sociedade em geral, para apoiar ações preventivas. No final do ano, queremos que a PrevisIA erre a previsão. Ou seja: que essas florestas e seus serviços ambientais sejam protegidos e as emissões de carbono sejam evitadas”, completa Souza Jr.
Para 2026, a PrevisIA indicou que 1.686 km² de floresta estão sob risco muito alto ou alto de desmatamento, o que representa 31% do total. Outros 1.056 km² (20%) estão sob ameaça moderada e 2.759 km² sob risco baixo ou muito baixo (50%). “Evitar a derrubada nessas áreas pode inclusive viabilizar mecanismos de finanças florestais para pagamentos por desmatamento evitado na Amazônia”, indica o pesquisador.
A estimativa da ferramenta segue o chamado “calendário do desmatamento”, que vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte, assim como os dados oficiais do governo federal. Conforme o Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foram devastados 5.112 km² entre agosto de 2024 e julho de 2025, o que representa uma queda de 18% em relação ao período anterior.
“Além de analisar o risco de desmatamento com a PrevisIA, acompanhamos também como as estradas estão avançando na Amazônia, já que costumam abrir caminho para novas derrubadas. Inclusive, já conseguimos estimar onde há risco de novas estradas surgirem, o que ajuda a antecipar áreas de risco do desmatamento. Esse modelo de risco de expansão de estradas foi publicado recentemente na revista científica PNAS, e todos esses dados já estão disponíveis ao público no site previsia.org.br“, afirma Stefany Pinheiro, cientista de dados da plataforma.
Desde 2020, a análise espacial mostra que o desmatamento ocorre majoritariamente próximo às vias de acesso, com cerca de 95% da derrubada concentrada a até 5,5 km de distância de uma estrada. “Isso evidencia a forte associação entre abertura de estradas e o avanço do desmatamento na Amazônia, reforçando a importância de monitorar essa dinâmica para antecipar as áreas sob maior pressão”, completa Pinheiro.
Pará, Amazonas e Mato Grosso representam 72% do risco de derrubada
A PrevisIA também indica a área sob risco de desmatamento em cada estado da Amazônia, dividida por classe de risco. Para 2026, Pará (36%), Amazonas (18%) e Mato Grosso (18%) lideram o ranking. Apenas os três concentram 72% de todo o território ameaçado na Amazônia, somando 4.049 km² sob risco.
“A análise estadual é importantíssima para que os órgãos competentes possam atuar em defesa da Amazônia. No Pará, por exemplo, o Imazon possui parceria com o Ministério Público Estadual (MPPA) e com a Defensoria Pública do Estado (DPE-PA) para usar a PrevisIA em ações de prevenção ao desmatamento em solo paraense”, explica Alexandra Alves, pesquisadora do Imazon.
“A ferramenta também possibilita análises municipais, favorecendo a adoção de políticas públicas pelas secretarias de meio ambiente e demais órgãos ligados às prefeituras na proteção da floresta”, completa Alves. Para 2026, apenas os 10 municípios com maior área sob risco de desmatamento concentram 20% de toda a área ameaçada na Amazônia. Metade deles está no Pará, dois no Amazonas, dois em Mato Grosso e um em Rondônia.
Os líderes do ranking são os paraenses São Félix do Xingu e Altamira, municípios historicamente ligados à expansão do desmatamento na Amazônia. Além deles, as cidades amazonenses de Apuí, que ficou em quarto lugar, e de Lábrea, em sexto, chamam a atenção por se localizarem na Amacro, região de expansão agrícola na divisa do Amazonas com o Acre e Rondônia.
Dez terras indígenas concentram 44% do risco de desmatamento
Para 2026, a PrevisIA estimou 357 km² sob ameaça de devastação em territórios indígenas, sendo 44% apenas nas 10 mais ameaçadas. A liderança do ranking ficou com a Terra Indígena Kayapó, no Pará, com 31 km² sob risco. Em 2024, o território possuía a maior área de garimpo ilegal na Amazônia, segundo o MapBiomas. Por isso, em julho de 2025, o governo federal iniciou uma operação de desintrusão no território. “Ações como essa podem impedir o avanço do desmatamento ilegal no território e são necessárias para as outras terras indígenas que estão entre as mais ameaçadas da Amazônia”, afirma Souza Jr.
Além do Kayapó, outros cinco territórios indígenas paraenses possuem as maiores áreas sob risco de derrubada: Parque do Xingu (que também possui parte da área em Mato Grosso), Apyterewa, Alto Rio Guamá, Cachoeira Seca e Munduruku. Isso faz o e\Estado ser o mais crítico para a proteção dos povos originários e suas florestas na Amazônia, segundo a PrevisIA. Amazonas, Mato Grosso, Roraima e Maranhão também possuem terras indígenas entre as 10 mais ameaçadas.
Unidades de Conservação Estaduais possuem maior risco de devastação
A PrevisIA também indicou 598 km² de desmatamento em unidades de conservação, sendo 339 km² (57%) em áreas estaduais, 246 km² em federais (41%) e 12 km² em municipais (2%). “Esse dado reforça a necessidade dos estados atuarem fortemente na proteção desses territórios, com foco nos mais ameaçados”, comenta Pinheiro.
Apenas as 10 unidades de conservação sob maior ameaça na Amazônia concentram quase metade de todo o risco de desmatamento dentro desses territórios, segundo a PrevisIA. A liderança do ranking ficou com a APA Triunfo do Xingu, no Pará, e com a Resex Chico Mendes, no Acre, ambas que figuram há anos entre as mais desmatadas na Amazônia.
Conheça a ferramenta
Lançada em 2021 pelo Imazon em parceria com a Microsoft e o Fundo Vale, a PrevisIA é uma plataforma inovadora que utiliza a inteligência artificial para indicar áreas sob risco de desmatamento na Amazônia. E, com isso, fornecer dados para evitá-lo. Sua metodologia analisa um conjunto de variáveis como a presença de estradas legais e ilegais, o desmatamento já ocorrido, as classes de territórios, a distância para áreas protegidas, os rios, a topografia, a infraestrutura urbana e informações socioeconômicas.
Acesse previsia.org.br para saber mais
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