O Nexo Floresta-Clima para a Amazônia Brasileira

17/10/25

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Título
O Nexo Floresta-Clima para a Amazônia Brasileira
Autores
Juliano Assunção, Beto Veríssimo, Gabriela Zangiski, Joana Chiavari, Giovanna de Miranda
Meio de Publicação
Amazônia 2030
Data de Publicação
17/10/2025
Idioma
Português
Quantidade de Páginas
20

Introdução

As florestas tropicais ocupam posição central na agenda climática global. Elas armazenam vastos estoques de carbono, regulam chuvas e ciclos hídricos, abrigam uma das maiores biodiversidades do planeta e apoiam diretamente a subsistência de milhões de pessoas. Sua degradação, por outro lado, compromete a estabilidade climática e ameaça economias em escala global.

Entre essas florestas, a Amazônia brasileira se destaca por sua relevância e vulnerabilidade. A floresta garante segurança hídrica para setores estratégicos da economia do país, como agricultura, energia e abastecimento urbano, e influencia o clima em grande parte da América do Sul. Ao mesmo tempo, enfrenta pressões antrópicas cada vez maiores: em 2023, cerca de 14% da floresta original já havia sido perdida, enquanto áreas remanescentes sofrem degradação, causada por queimadas e extração ilegal de madeira. Nos últimos 35 anos, o desmatamento reduziu a precipitação regional em aproximadamente 21 mm por estação seca, respondendo por cerca de 74% dessa queda.4 Esses processos fragilizam o equilíbrio ecológico e aproximam a Amazônia de um ponto de não retorno. A manutenção da floresta em pé, portanto, é um ativo estratégico tanto para a estabilidade climática quanto para a economia do país.

Neste relatório, pesquisadores do Climate Policy Initiative/Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPI/PUC-Rio) e do projeto Amazônia 2030 demonstram como o restauro florestal pode impulsionar a economia da Amazônia, convertendo áreas degradadas em oportunidades de receita e desenvolvimento sustentável. Pesquisadores identificam que a restauração de áreas degradadas poderia capturar até 26 GtCO₂ apenas por meio da regeneração natural. O estudo também apresenta o potencial da aplicação do Mecanismo de Reversão de Desmatamento (Reversing Deforestation Mechanism – RDM)5 na Amazônia brasileira, um mecanismo jurisdicional de remuneração por toneladas líquidas de carbono capturado, que foi desenvolvido pelo CPI/PUC-Rio.

Os resultados mostram também o tamanho da oportunidade econômica: na Amazônia brasileira, em um horizonte de 30 anos, o RDM pode gerar até US$ 784 bilhões com o preço de US$ 50 por tonelada de CO2. Esse montante tem potencial para promover um reordenamento do uso da terra, conciliando aumento da produtividade agropecuária com a restauração florestal e garantindo benefícios climáticos e econômicos de longo prazo. Ao alinhar políticas e finanças em torno da restauração, o Brasil tem a chance de acelerar uma transformação econômica na Amazônia. Hoje, mecanismos financeiros existentes ainda não cobrem em larga escala a restauração florestal. O RDM oferece um caminho para preencher essa lacuna. Dessa forma, o país pode se consolidar como líder climático no caminho para a COP30, em Belém, e transformar a restauração da Amazônia em vetor de crescimento econômico e valorização de seu maior patrimônio natural: a floresta Amazônica.

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