Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas: SAD de Outubro a Dezembro 2025

03/02/26
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Título
Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas: SAD de Outubro a Dezembro 2025
Autores
Bianca Santos, Júlia Ribeiro e Carlos Souza Jr.
Meio de Publicação
Digital
Data de Publicação
04/02/2026
Idioma
Português
Quantidade de Páginas
2

Bianca Santos, Júlia Ribeiro e Carlos Souza Jr. Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas: SAD de Outubro de 2025 a Dezembro de 2025. Belém: Imazon.

Áreas Protegidas (APs) representam um patrimônio nacional, e considerando a extensão das APs na Amazônia Legal (i.e., 4), os seus benefícios para a manutenção da biodiversidade, estoques de carbono e na geração de serviços ambientais, como a regulação do clima, transcendem a fronteira nacional, alcançando relevância global. Propomos uma metodologia para monitorar as Ameaças e Pressões nas APs baseada em dados de desmatamento (sem sombra de dúvidas, um dos maiores vetores de ameaças, mas há outros vetores como extração madeireira, garimpo, hidrelétricas). 

Usamos as seguintes definições:

AMEAÇA: é a medida do risco iminente de ocorrer desmatamento no interior de uma AP. Utilizamos uma distância de 10 km para indicar a zona de vizinhança de uma AP na qual a ocorrência de desmatamento indica ameaça. Muitas APs resistem a esse tipo de ameaça, não permitindo que o desmatamento penetre em seus limites.

PRESSÃO: ocorre quando o desmatamento se manifesta no interior da AP, levando a perdas de serviços ambientais e até mesmo à redução ou redefinição de limites da AP. Ou seja, é um processo interno que pode levar à desestabilização legal e ambiental da AP.

RESULTADO 

O SAD de outubro a dezembro de 2025 detectou um total de 448 km² de desmatamento na Amazônia. O cruzamento dos dados do SAD com a grade de células de 10 km x 10 km (i.e., 100 km²) revelou que:

  • Das 904 células que tiveram ocorrência de desmatamento, 577 (64%) indicam Ameaça e 327 (36%) Pressão em APs. O número de células com ocorrência de desmatamento de outubro a dezembro de 2025 é 10% menor em comparação com outubro a dezembro de 2024. Isso ocorre porque, além do número de alertas ser menor no período atual, a área desmatada também reduziu em 33% em comparação com o período anterior.

  • As APs mais Ameaçadas foram a Flona de Saracá-Taquera (PA) e a Resex Chico Mendes (AC). Ambas ocuparam o décimo e o primeiro lugar, respectivamente, no ranking de APs ameaçadas do período anterior. Seis das dez APs mais ameaçadas do período também apareceram no ranking do período anterior (Gráfico 1).

  • A RESEX Chico Mendes (AC) e a APA Triunfo do Xingu (PA) foram as APs mais Pressionadas. A Resex Chico Mendes (AC) ocupou o primeiro lugar no ranking de APs pressionadas do período anterior. Seis das dez APs mais pressionadas do período também apareceram no ranking do período anterior (Gráfico 2).

  • As Terras Indígenas TI Trincheira/Bacajá (PA) e TI Arara (PA) foram as mais Ameaçadas no período. Sete das dez Terras Indígenas mais ameaçadas do período também apareceram no ranking do período anterior. A TI Cachoeira Seca do Iriri (PA) e a TI Waimiri Atroari (AM/RR) lideram o ranking das mais Pressionadas. Todas as dez Terras Indígenas mais pressionadas do período também apareceram no ranking do período anterior.

  • As Unidades de Conservação Federais que lideram o ranking de Ameaça são a Flona de Saracá-Taquera (PA) e a Resex Chico Mendes (AC). Ambas ocuparam o quinto e o primeiro lugar, respectivamente, no ranking de unidades de conservação federais ameaçadas no período anterior. Em relação à Pressão, a Resex Chico Mendes (AC) e a Resex Tapajós-Arapiuns (PA) são as líderes do ranking. Nove das dez unidades de conservação federais mais pressionadas do período também apareceram no ranking do período anterior.

  • As Unidades de Conservação Estaduais mais Ameaçadas foram a APA do Lago de Tucuruí (PA) e a FES do Paru (PA). Sete das dez unidades de conservação estaduais mais ameaçadas do período também apareceram no ranking do período anterior. Em relação à Pressão, a APA Triunfo do Xingu (PA) e a APA Arquipélago do Marajó (PA) são as líderes do ranking. 

    Baixe aqui o estudo completo

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