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Imazon 35 anos: Nas pesquisas e no campo, instituto tem promovido a restauração florestal há dez anos na Amazônia
Atuação do instituto contribui com a meta nacional de recuperar pelo menos 12 milhões de hectares de florestas até 2030
17/07/25Por Fernanda da Costa, coordenadora de comunicação do Imazon
O tema da restauração de ecossistemas ganhou os holofotes mundiais com o Desafio de Bonn, em 2011, que estabeleceu um esforço global para restaurar 150 milhões de hectares de terras degradadas e desmatadas do mundo até 2020 e 350 milhões de hectares até 2030. Em 2015, com o Acordo de Paris, o Brasil apresentou oficialmente à comunidade internacional a meta de restaurar pelo menos 12 milhões de hectares de florestas até 2030. Objetivo transformado em política pública em 2017, com o lançamento do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg).
No mesmo ano, com objetivo de auxiliar o país no cumprimento da meta, o Imazon publicou três estudos sobre a temática: “Avaliação e modelagem econômica da restauração florestal no estado do Pará“, “Diagnóstico dos Fatores Chave de Sucesso para a Restauração da Paisagem Florestal“ e “Oportunidades para Restauração Florestal no Estado do Pará“. Trabalhos que mostraram o potencial do estado em contribuir com o sucesso da política nacional e sugeriram recomendações para sua implementação.
No primeiro deles, os pesquisadores mostraram que o Pará à época poderia contribuir com até 25% da meta caso recuperasse seu passivo florestal, estimado em 3 milhões de hectares (Mha). “Destes 3 Mha, estimamos um passivo entre 760 mil ha e 1 Mha em Áreas de Preservação Permanente (APP) e de aproximadamente 2,3 Mha em Reserva Legal (RL)”, informou a pesquisa. O relatório ainda levantou quais seriam os custos necessários para restaurar essas áreas e os potenciais ganhos com o mercado de crédito de carbono.
O segundo estudo sugeriu, a partir de análises realizadas em Paragominas, estratégias para fomentar a recuperação de áreas desmatadas ou degradadas. Já o terceiro mostrou possibilidades de estabelecimento de um plano estratégico estadual de restauração. A pesquisa analisou aspectos relacionados à legislação e avaliou o custo-benefício das intervenções de restauração, além de identificar as barreiras a serem superadas para dar escala às atividades.
Além desses diagnósticos, o Imazon tem contribuído com a temática por meio do mapeamento remoto da vegetação secundária no bioma Amazônia, gerando um banco de dados anual, no sistema “FloreSer“, disponibilizado ao acesso e uso público na plataforma Google Earth Engine (GEE). Lançado em 2017, o sistema mostra onde está a vegetação secundária na Amazônia, aquela que brotou após o desmatamento da área, seja por ação natural ou intervenção humana. Além disso, o FloreSer mostra a idade dessa vegetação, o que possibilita estudos excluindo áreas que podem estar em “pousio”, prática agrícola que consiste em deixar um terreno sem cultivo por um período para que o solo restaure sua fertilidade, em geral cerca de cinco anos.
Foi com dados obtidos pelo FloreSer que o Imazon publicou, em 2021, o relatório “Restauração Florestal em Larga Escala na Amazônia: O Potencial da Vegetação Secundária“. Parte do projeto Amazônia 2030, o trabalho trouxe a informação inédita de que a região tinha 7,2 milhões de hectares de vegetação secundária maior de 5 anos, o equivalente ao território da Irlanda. Por isso, a recomendação do estudo é que essas terras fossem protegidas e utilizadas para ajudar o país a cumprir com sua meta de restauração.
No ano seguinte, em 2022, outro estudo dentro do mesmo projeto avançou na temática. Chamado “Oportunidades para a Restauração Florestal em Larga Escala no Bioma Amazônia: Priorizando a Vegetação Secundária“, o relatório revelou que, dos 7,2 milhões de hectares de vegetação secundária maior de 5 anos na região, 5,2 milhões (73%) eram áreas sem aptidão agrícola. Ou seja: não competiam com a produção de grãos, principalmente por conta do relevo. Mais uma vez, os pesquisadores recomendaram a conservação dessas terras com objetivo de cumprir com a meta nacional de recuperação de paisagens.
Em 2025, no entanto, uma terceira pesquisa do Imazon sobre a temática dentro do projeto Amazônia 2030 mostrou um dado alarmante: a região perdeu parte dessa vegetação secundária com mais de 5 anos. No relatório “A Vocação da Restauração Florestal na Amazônia com Base na Vegetação Secundária“, os pesquisadores revelaram que, entre 2019 e 2023, foram desmatados 2 milhões de hectares dessas áreas, o que tornou ainda mais urgente a recomendação de proteção desses territórios.
“A partir dessas pesquisas, identificamos que a condução da vegetação secundária é o melhor caminho para dar escala à restauração florestal na Amazônia, tanto por apresentar baixo custo quanto, na maioria das áreas, não competir com a agricultura. Porém, é preciso monitorar e conservar essas áreas para evitar que sejam desmatadas novamente”, alerta o pesquisador do Imazon Paulo Amaral.
Além disso, especialistas do Imazon participaram de publicações sobre o tema em parceria com outras organizações. São destaques os livros “Recomendações para o monitoramento da restauração na Amazônia“, de 2022, e “Saúde Única: O papel da restauração florestal para garantir saúde humana, animal e ambiental na Amazônia“, de 2023, ambos frutos da colaboração com a Aliança pela Restauração na Amazônia.
Atuação em campo
Além das pesquisas, o Imazon tem realizado projetos de campo com foco na recuperação de áreas desmatadas. Desde em 2021, o instituto alcançou um total de 350 agricultores familiares beneficiados com ações de restauração em suas áreas, 286 hectares de Sistemas Agroflorestais (SAFs) implantados e 166 mil mudas de espécies florestais plantadas em municípios paraenses.
“Quando trabalhamos nas comunidades, aliamos a restauração com a segurança alimentar, por isso a implantação dos SAFs. Além disso, também trabalhamos com a Regeneração Natural Assistida (RNA), uma estratégia que utiliza algumas intervenções humanas para impulsionar a recuperação das paisagens, como a instalação de cercas para evitar a entrada de animais, a proteção contra o fogo com aceiros e a remoção de plantas invasoras, por exemplo”, explica a pesquisadora do Imazon Andréia Pinto.
Além disso, entre 2023 e 2024, o instituto contribuiu com a reestruturação de cinco viveiros comunitários, que produziram 88 mil mudas nesses dois anos. Ação que beneficiou 150 famílias assentadas da reforma agrária.
Outra ação de destaque no campo foi a realização do curso “Formar Restauração Florestal para Agricultores Familiares”, concebido e implementado em parceria com o Instituto Internacional de Educação do Brasil (IEB). O Formar contou com a participação de 128 pessoas, sendo 61 agricultoras e 67 agricultores dos municípios de Dom Eliseu, Paragominas e Ulianópolis, no Pará. O curso foi implementado em três turmas (150 horas cada), na modalidade presencial, em comunidades-polo, na zona rural.
Por fim, nesse contexto de formação de agentes multiplicadores em campo, o Imazon apoiou o Instituto Gesto (atual Instituto Motriz) na implementação da iniciativa “Salas-floresta” entre 2021 e 2022, que implantou um “SAF Educativo” em uma escola municipal da zona rural de Ulianópolis e formou professores para fazer o uso pedagógico desse espaço, aproximando os conceitos de sustentabilidade à realidade dos alunos. Em 2024, essa iniciativa foi ampliada para outras escolas no mesmo município. Ao final, 41 professores foram formados e 11 escolas públicas municipais se tornaram implementadoras do Salas-floresta. Adicionalmente, a iniciativa fortaleceu a conexão entre as secretarias municipais de educação, de agricultura e de meio ambiente, inovando também no modelo de (co)gestão do Salas-floresta.
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