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Imazon e UFOPA firmam parceria para ampliar monitoramento da biodiversidade em unidades de conservação no Pará
Acordo de cooperação técnica prevê cinco anos de atuação conjunta na Estação Ecológica Grão-Pará e na Reserva Biológica Maicuru, com pesquisas voltadas à compreensão das mudanças na biodiversidade ao longo do tempo
13/08/26
O Imazon e a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) firmaram um termo de cooperação técnica para ampliar as pesquisas e o monitoramento da biodiversidade em duas unidades de conservação do Norte do Pará: a Estação Ecológica (ESEC) Grão-Pará e a Reserva Biológica (REBIO) Maicuru. Com duração inicial de cinco anos, o acordo busca aproximar a pesquisa científica e reunir diferentes especialidades para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade da região.
A parceria integra uma estratégia de fortalecimento do monitoramento realizado pelo Imazon dentro do Programa do Grande Tumucumaque. Atualmente, o trabalho utiliza o protocolo florestal do Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). A metodologia tem como uma de suas vantagens a possibilidade de ser aplicada por moradores locais, incluindo comunidades indígenas, que contribuem para a realização de acompanhamentos contínuos.
“Vamos conseguir identificar impactos que são invisíveis aos olhos, mas podem gerar grandes consequências, inclusive em locais mais distantes das UC’s. Outro ponto é a formação de pessoas da região, porque a gente espera envolver vários estudantes que vão se tornar profissionais que podem continuar auxiliando na proteção da natureza”, aponta Tainara Venturini Sobroza, professora da UFOPA.
A pesquisadora do Imazon Jarine Reis explica que o protocolo atualmente utilizado permite acompanhar importantes componentes da biodiversidade, como mamíferos de médio e grande porte. A nova cooperação pretende ampliar esse conjunto de informações, incorporando grupos que podem responder de maneira mais sensível às alterações ambientais e mudanças climáticas.
Entre as categorias que poderão ser estudadas a partir da nova colaboração estão peixes, insetos, pequenos mamíferos, mariposas e outros organismos. Também está prevista a realização de levantamentos mais detalhados da vegetação arbórea, permitindo avançar da identificação em nível de gênero ou família para informações mais precisas sobre as espécies.
“A gente tem um potencial gigantesco de estudos e monitoramento de biodiversidade na região do Norte do Pará porque, apesar da elevada biodiversidade e da presença de diversas áreas protegidas, existem poucas informações de longo prazo sobre a dinâmica dos organismos nesses territórios”, observa Jarine.
Novas pesquisas ajudam a fortalecer as áreas protegidas
Um dos principais objetivos da parceria é construir uma linha de base da biodiversidade nas áreas monitoradas. Isso significa produzir um conjunto de dados que represente as condições atuais desses ecossistemas e que possa servir como referência para acompanhar suas transformações ao longo dos anos. A partir disso, será possível identificar mudanças na composição e na estrutura das espécies e avaliar como elas respondem a alterações no clima e no ambiente.
“O desenvolvimento de novos estudos na área é especialmente relevante, dado que a região apresenta baixa intervenção humana, pois possibilita acompanhar transformações futuras, principalmente as relacionadas às mudanças climáticas. Além disso, podem nos ajudar a identificar efeitos relacionados a alterações no uso da terra e nas condições de acesso e de governança dos territórios”, afirma Jarine.
Como o Programa Grande Tumucumaque é uma iniciativa de longo prazo, os cinco anos previstos inicialmente no acordo com a UFOPA representam apenas uma etapa desse acompanhamento, que poderá ser renovado e ampliado nos anos seguintes. Em uma região que possui lacunas importantes de conhecimento sobre sua biodiversidade, os dados produzidos são fundamentais tanto para as pesquisas atuais quanto para orientar e permitir comparações futuras.
Os estudos ainda podem contribuir para reforçar a importância das áreas protegidas para a conservação da biodiversidade, tanto no contexto local quanto no nacional, gerando evidências sobre o papel desses territórios na manutenção dos ecossistemas amazônicos. Esses dados possuem o potencial de subsidiar estratégias de conservação e fortalecer o reconhecimento da relevância das unidades de conservação para a proteção da biodiversidade e para o enfrentamento das mudanças climáticas.
Texto por Armando Ribeiro
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