Imazon lamenta falecimento de Zélia Amador de Deus, referência na luta antirracista e no combate ao racismo ambiental

Professora, pesquisadora, artista e militante, ela foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa)

09/09/26

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Foto: Alexandre de Moraes/Divulgação UFPA


O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) lamenta profundamente o falecimento da professora Zélia Amador de Deus, referência na luta antirracista e no combate ao racismo ambiental. Marajoara de Salvaterra, era docente, pesquisadora, ativista e artista. Ela faleceu na terça-feira, 8 de setembro, em Belém, aos 74 anos.

Doutora em Ciências Sociais, Zélia recebeu, em 2019, o título de Professora Emérita da Universidade Federal do Pará (UFPA), onde lecionava desde 1978. “Professora ligada às Artes, ensinou teatro, estética e história da arte. Fez parte do coletivo de artistas que participou da construção do Núcleo de Arte, estrutura que está na origem do atual Instituto de Ciências da Arte (ICA), e desenvolveu atividades de ensino, pesquisa e extensão que contribuíram para a formação de gerações de artistas e pesquisadores”, informou a universidade.

Na UFPA, ela também dirigiu o então Centro de Letras e Artes (CLA), entre 1989 e 1993, foi vice-reitora, entre 1993 a 1997, e participou da criação do Grupo de Estudos Afro-Amazônicos (GEAM). Além disso, foi uma das principais protagonistas da luta pela política de reserva de vagas da universidade para estudantes negros, pardos e indígenas.


Como militante do movimento antirracista, Zélia também foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa), em 1980. O Cedenpa atuou como parceiro do Imazon em eventos e formações socioambientais, entre eles a Campanha Justiça Climática na Amazônia, que discutiu o enfrentamento ao racismo ambiental na região.

“O racismo ambiental é uma modalidade de racismo que joga as pessoas negras para os locais com as piores condições. […] O sistema capitalista é hábil em usar a natureza como celeiro para explorar cada vez mais. E quem sofre as consequências dessa depredação do meio ambiente são as pessoas marcadas para sofrer”, afirmou Zélia em entrevista para o podcast Carta Amazônia.

Semanas antes de morrer, a UFPA homenageou sua trajetória com o plantio de um baobá, símbolo de resistência e memória ancestral africana, um gesto que hoje ganha ainda mais significado.

O Imazon manifesta sua solidariedade a todos familiares, amigos, colegas e admiradores de Zélia neste momento de luto. Seu legado marcará para sempre a história da luta antirracista na Amazônia.

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