Imazon promove workshop para comunicadores sobre as áreas protegidas do Norte do Pará

Programação combinou palestras teóricas com oficinas práticas de dados para ampliar e aprimorar a cobertura sobre as unidades de conservação, as terras indígenas e os territórios quilombolas da região

27/07/26

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Participantes do workshop recebendo a certficação ao final do evento

Ampliar e aprimorar a comunicação sobre as áreas protegidas do Norte do Pará foi o objetivo de um evento realizado pelo Imazon para um público de cerca de 30 comunicadores em Santarém, no dia 25 de julho. A turma contou com a presença de jornalistas, estudantes e professores de jornalismo, influencers, comunicadores populares e pesquisadores.

O Norte do Pará abriga o maior bloco de áreas protegidas do mundo, com mais de 22 milhões de hectares, e é lar de diversos povos e comunidades tradicionais, entre eles indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos. Além disso, abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, por estar no chamado “Escudo das Guianas”, uma das regiões mais preservadas da Pan-Amazônia.

Com foco na troca de conhecimentos e na divulgação de dados científicos confiáveis sobre a importância desse território, o evento contou com palestras teóricas sobre os tipos de áreas protegidas existentes na região, seus povos e sua biodiversidade. Além disso, a programação incluiu palestras sobre como falar sobre esse território na imprensa e nas redes sociais. Depois, o evento contou com oficinas práticas que apresentaram diversas plataformas de dados socioambientais que podem ser usadas para obter informações confiáveis sobre as áreas protegidas, entre elas o IPS Brasil, o ImazonGeo, o MapBiomas e o Seeg.

“As áreas protegidas são muito importantes para a conservação da biodiversidade no mundo todo, mas a gente sabe que elas ainda não são tão conhecidas, até o próprio termo. Então, o jornalismo, como essa ferramenta de comunicação, que pode chegar até um número maior de pessoas, é muito necessário. É importante a gente saber o que são áreas protegidas para conseguir falar sobre elas e sobre tudo o que as permeia”, comentou Ana Paula Vieira, estudante de Jornalismo e participante da programação.

Os comunicadores presentes também puderam conhecer melhor os projetos do Imazon voltados ao território, como o Programa Grande Tumucumaque e a articulação para o reconhecimento do Mosaico Norte do Pará, ferramenta de gestão territorial integrada prevista no Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC). Se for reconhecido, além de conter unidades de conservação e terras indígenas, o mosaico da região será o primeiro do Brasil a incorporar territórios quilombolas em sua composição.

Para Fernanda da Costa, jornalista e coordenadora de comunicação do Imazon, construir espaços de formação para comunicadores sobre as áreas protegidas é essencial para combater a desinformação sobre a Amazônia. “É papel dos jornalistas e dos comunicadores checar os dados antes de divulgá-los. Por isso, o workshop incluiu em sua programação oficinas práticas que demonstraram como utilizar algumas plataformas científicas de credibilidade, que reúnem dados úteis para a cobertura socioambiental e o combate à desinformação. Esperamos que eles usem e divulguem essas ferramentas”, afirma.

O influenciador digital e ativista indígena José Kaeté, que participou da programação como palestrante, também explica que é necessário traduzir o conhecimento sobre as áreas protegidas para que as pessoas consigam entender a relação desses espaços com o seu dia a dia e se engajem em sua defesa. “Para a gente falar sobre as áreas protegidas nas redes sociais, precisamos entender que tem muita coisa que a gente não sabe. Então, precisamos traduzir esse conhecimento em algo palpável, ligado ao nosso dia a dia. Precisamos pensar em como conectar esse assunto às pessoas e gerar curiosidade, para que elas se encantem com as nossas belezas naturais e com o nosso patrimônio tradicional e passem a valorizar tudo isso”, reforça José.

O workshop integrou o Programa Grande Tumucumaque, que prevê um trabalho de 15 anos em prol da proteção da biodiversidade e do fortalecimento territorial na região. O programa é executado pelo Imazon e pelo Iepé, junto às organizações indígenas locais Apitikatxi, Apiwa e Tekohara, em parceria com a Funai e a Ideflor-Bio, e com financiamento da Nia Tero e do LLF.

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