Mais de 80% das áreas protegidas da Amazônia tiveram desmatamento zero no primeiro semestre

Derrubada da floresta amazônica entre janeiro e junho de 2026 foi a menor dos últimos oito anos, deixando 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação sem devastação

24/07/26

Compartilhar:

Imagem: Fábio Nascimento / Greenpeace
Imagem: Fábio Nascimento / Greenpeace

Com a menor área de floresta derrubada no primeiro semestre dos últimos oito anos, a Amazônia teve mais de 80% das áreas protegidas com desmatamento zero entre janeiro e junho deste ano. Isso corresponde a 588 territórios sem devastação, sendo 330 terras indígenas e 258 unidades de conservação. As análises são do instituto de pesquisa Imazon, que monitora a Amazônia por imagens de satélite desde 2008.

Além disso, apenas uma terra indígena e sete unidades de conservação tiveram desmatamento maior que 1 km² no primeiro semestre deste ano. De janeiro a junho, as áreas protegidas registraram 97,37 km² de derrubada, apenas 8% do registrado em toda a Amazônia. Foram 9,38 km² em terras indígenas e 87,99 km² em unidades de conservação.

Áreas protegidas com desmatamento acima de 1 km² entre janeiro e junho de 2026, segundo o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon:

Território

UF

Desmatamento (km²)

APA Triunfo do Xingu

PA

47,85

FLONA de Altamira

PA

12,51

APA do Tapajós

PA

4,01

RESEX Guariba-Roosevelt

MT

3,47

FLONA do Jamanxim

PA

3,45

TI Porquinhos dos Canela-Apãnjekra (reestudo)

MA

2,05

APA do Lago de Tucuruí

PA

1,41

APA das Reentrâncias Maranhenses

PA/MA 

1,32

O destaque negativo foi para a Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, responsável por metade do desmatamento registrado em todas as áreas protegidas da Amazônia no primeiro semestre. Foram desmatados 47,85 km² entre janeiro e junho no território, o que corresponde a quase 5 mil campos de futebol. Ou seja, o território perdeu, em média, 25 campos de futebol de floresta por dia.

Além disso, a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no Pará, que teve grande destaque neste mês após a aprovação, no Senado, de um projeto de lei que reduz sua área, foi a quinta unidade de conservação mais desmatada na Amazônia. O território perdeu 3,45 km² de floresta, o que equivale a quase 350 campos de futebol.

“A aprovação desse projeto mostra que o Congresso Nacional está legislando para favorecer um pequeno grupo de pessoas que invadiu ilegalmente essa unidade de conservação após sua criação, em 2006. As unidades de conservação são importantíssimas para conter o desmatamento e combater a crise climática. Por isso, esse projeto precisa ser vetado pela Presidência”, alerta a coordenadora do Programa de Direito e Sustentabilidade do Imazon, Brenda Brito. 

Em toda a Amazônia, foram derrubados 1.145 km² de floresta entre janeiro e junho de 2026, 10% a menos do que no mesmo período do ano passado. “Porém, quando comparamos historicamente a área desmatada no primeiro semestre, a derrubada de 2026 foi 76% menor do que a de 2022, quando registramos o recorde de desmatamento desde 2008, ano de implantação do nosso sistema de monitoramento. Precisamos seguir nessa redução até atingirmos a meta de desmatamento zero para 2030”, afirma a coordenadora do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon, Larissa Amorim. 

SAD Desmatamento - Janeiro a Junho de 2008 - 2026
SAD Desmatamento - Janeiro a Junho de 2008 - 2026

A redução da derrubada é ainda mais expressiva na análise do chamado “calendário do desmatamento”, que por causa do regime de chuvas na Amazônia vai de agosto de um ano a julho do ano seguinte. Em 11 meses, de agosto de 2025 a junho de 2026, a região teve 2.258 km² desmatados, 28% a menos que no período anterior. E 75% a menos do que entre agosto de 2021 e junho de 2022, ano em que a Amazônia teve recorde de devastação no período. Apenas em junho, a queda no desmatamento foi de 5%, passando de 326 km² em 2025 para 309 km² em 2026.

SAD - Série histórica do Calendário do Desmatamento (Agosto a Junho)
SAD - Série histórica do Calendário do Desmatamento (Agosto a Junho)

A degradação, dano ambiental causado pela extração de madeira e pelas queimadas, teve queda de 55% em junho, passando de 207 km² em 2025 para 94 km² em 2026. Já no acumulado de janeiro a junho, a redução atingiu 86%. E, no calendário do desmatamento, de agosto de 2025 a junho de 2026, a degradação caiu 93%. 

Pará, Mato Grosso e Amazonas lideram desmatamento

Apenas dois dos nove estados que compõem a Amazônia Legal registraram alta no desmatamento entre agosto de 2025 e junho de 2026: Roraima (de 25%) e Maranhão (de 20%). “Esses territórios com aumento na derrubada florestal precisam intensificar suas políticas de combate ao desmatamento com urgência, tanto federais quanto estaduais”, alerta a pesquisadora do Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, Raíssa Ferreira. Os outros sete estados tiveram quedas de 67% (Tocantins) a 27% (Mato Grosso).

Já em relação ao tamanho das áreas desmatadas, a liderança nesses 11 meses foi do Pará (684 km²), do Mato Grosso (509 km²) e do Amazonas (378 km²). “Apesar desses três estados terem registrado quedas no desmatamento, eles possuem grandes áreas florestais e precisam fortalecer suas ações de fiscalização e punição para evitar novas derrubadas”, completa a pesquisadora do mesmo programa, Manoela Athaide.

Estado

Desmatamento agosto de 2024 a junho de 2025

Desmatamento agosto de 2025 a junho de 2026

Variação

Pará

1072

684

-36

Mato Grosso

696

509

-27

Amazonas

613

378

-38

Roraima

199

249

25

Acre

316

230

-27

Maranhão

91

109

20

Rondônia

133

87

-35

Tocantins

24

8

-67

Amapá

7

4

-43

Clique aqui para ver os dados de junho de 2026
Acesse aqui os dados dos meses anteriores

Comentários

Este site foi desenvolvido pela NOTABC