O que é a COP da Biodiversidade?

Entenda o que está em discussão no encontro mundial e como a Amazônia se conecta às metas de proteção da natureza

Compartilhar:

Foto: UN Biodiversity
Foto: UN Biodiversity

Entre os dias 19 e 30 de outubro, acontece em Yerevan, na Armênia, a 17ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica da ONU, conhecida como COP17 da Biodiversidade. Realizado a cada dois anos, o encontro reúne países para discutir acordos e estratégias de conservação da natureza, uso sustentável dos recursos naturais e repartição justa dos benefícios da biodiversidade.

O mundo está cumprindo suas promessas de proteção da natureza?

Essa é uma das principais perguntas da COP17, que vai avaliar os avanços do Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, aprovado em 2022. O acordo estabelece 23 metas para conter e reverter a perda de biodiversidade até 2030. Entre os principais desafios estão a proteção dos ecossistemas, a recuperação de áreas degradadas e o financiamento das ações de conservação.

Conheça as 23 metas:

  1. Planejar e gerir os territórios para reduzir a perda de biodiversidade.
  2. Restaurar pelo menos 30% dos ecossistemas degradados.
  3. Conservar pelo menos 30% das áreas terrestres, águas interiores e ambientes marinhos.
  4. Evitar extinções causadas pela ação humana e proteger a diversidade genética.
  5. Garantir o uso e o comércio sustentáveis, seguros e legais de espécies silvestres.
  6. Reduzir em pelo menos 50% a introdução de espécies exóticas invasoras.
  7. Reduzir a poluição, incluindo riscos de agrotóxicos e excesso de nutrientes.
  8. Minimizar os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade.
  9. Garantir o uso sustentável de espécies silvestres em benefício das pessoas.
  10. Tornar agricultura, aquicultura, pesca e silvicultura mais sustentáveis.
  11. Proteger e recuperar os benefícios que a natureza oferece às pessoas.
  12. Ampliar espaços verdes e azuis nas cidades.
  13. Garantir a repartição justa dos benefícios dos recursos genéticos e conhecimentos associados.
  14. Integrar a biodiversidade às políticas públicas e decisões econômicas.
  15. Incentivar empresas a avaliar e reduzir seus impactos sobre a biodiversidade.
  16. Promover o consumo sustentável e reduzir pela metade o desperdício de alimentos.
  17. Fortalecer medidas de biossegurança e a gestão da biotecnologia.
  18. Reduzir em pelo menos US$ 500 bilhões anuais os incentivos prejudiciais à biodiversidade.
  19. Mobilizar pelo menos US$ 200 bilhões por ano para a biodiversidade.
  20. Fortalecer a capacitação, a cooperação científica e o acesso às tecnologias.
  21. Ampliar o acesso a informações e conhecimentos para a conservação.
  22. Garantir a participação dos povos indígenas e comunidades tradicionais nas decisões.
  23. Promover a igualdade de gênero nas ações de conservação.

Apesar dos compromissos assumidos, o mundo ainda está distante dos resultados necessários para conter a perda de biodiversidade. Segundo a ONU, no ritmo atual, apenas 26% dos ecossistemas terrestres e 12% dos marinhos estarão protegidos até 2030, abaixo da meta global de 30%. Por isso, a COP17 é considerada um momento decisivo para transformar acordos em ações concretas.

E o que a Amazônia tem a ver com tudo isso?

Macaco-de-cheiro na floresta amazônica. (Foto: Lea Levers/Pexels)
Macaco-de-cheiro na floresta amazônica. (Foto: Lea Levers/Pexels)

A maior floresta tropical do mundo abriga uma enorme diversidade de espécies e ecossistemas fundamentais para o equilíbrio ambiental. Por isso, proteger a biodiversidade amazônica é também contribuir para o cumprimento das metas globais discutidas na COP17. E essa proteção depende de ações concretas, como o monitoramento das espécies, a conservação de áreas protegidas e o protagonismo dos povos e comunidades tradicionais.

No norte do Pará, o Programa Grande Tumucumaque, iniciativa do Imazon e do Iepé, em parceria com organizações indígenas, Funai e Ideflor-Bio, desenvolve ações de monitoramento participativo da biodiversidade. A iniciativa prevê 15 anos de monitoramento da fauna e da flora em um território de cerca de 10 milhões de hectares de florestas contínuas, incluindo a Esec Grão-Pará e a Rebio Maicuru.

Entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026, o monitoramento realizado pelo Programa Grande Tumucumaque identificou cerca de 44 espécies de animais. Entre elas está o gato-mourisco, felino considerado quase ameaçado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), registrado pela primeira vez pelas câmeras do programa na Esec Grão-Pará.  Esses dados ajudam a compreender a biodiversidade local e podem contribuir para estratégias de conservação.

Gato-mourisco registardo pela câmera do Programa Grande Tumucumaque na Esec Grão-Pará.
Gato-mourisco registardo pela câmera do Programa Grande Tumucumaque na Esec Grão-Pará.

O Programa Grande Tumucumaque conta com o protagonismo de monitores indígenas, que unem seus conhecimentos sobre a floresta às tecnologias de monitoramento da biodiversidade. Enquanto a COP17 discute caminhos para frear a perda de biodiversidade no planeta, iniciativas como o Programa Grande Tumucumaque mostram a importância da ciência, dos conhecimentos tradicionais e do monitoramento de longo prazo para a conservação da Amazônia.

Monitores indígenas durante as atividades de monitoramento da biodiversidade. (Foto: Stephanie Gadelha/Imazon)
Monitores indígenas durante as atividades de monitoramento da biodiversidade. (Foto: Stephanie Gadelha/Imazon)

A 17ª COP da Biodiversidade também pretende avançar nas temáticas que ficaram sem decisões na última edição, realizada na Colômbia, como o alcance de 200 bilhões de dólares por ano de financiamento para a biodiversidade e o aumento do comprometimento de metas individuais dos países signatários.

Saiba mais na playlist sobre o evento no YouTube do Imazon aqui.

Comentários

Este site foi desenvolvido pela NOTABC