O que levei da Amazônia para um debate internacional sobre crimes ambientais

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Foto: Arquivo pessoal
Foto: Arquivo pessoal

Entre 29 de setembro e 1º de outubro, estive na ESA-ESRIN, o Centro de Observação da Terra da Agência Espacial Europeia, em Frascati, na Itália, para o Environmental Crimes Workshop, uma iniciativa conjunta da ESA, do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia (JRC) e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

A iniciativa é bem relevante, pois o crime ambiental é uma das formas de crime organizado que mais crescem no mundo, cerca de 5% a 7% ao ano. Ele envolve desmatamento e comércio ilegal de madeira, mineração ilegal, pesca ilegal, tráfico de animais silvestres, descarte irregular de resíduos e muito mais. Redes criminosas atuam além das fronteiras e se aproveitam das diferenças entre as leis e das capacidades de fiscalização de cada país, o que torna esses crimes difíceis de detectar, investigar e punir.

O encontro reuniu quem está nessa linha de frente: pesquisadores, órgãos governamentais, organizações não governamentais, equipes de investigação, órgãos jurídicos e agências internacionais que utilizam a observação da terra para garantir o cumprimento da legislação ambiental. Os debates passaram por promoção da conformidade, monitoramento, fiscalização e fortalecimento de capacidades, além dos desafios de levar dados de satélite a investigações reais, como a aceitação de provas geoespaciais em processos judiciais.

Imagem: Arquivo pessoal
Imagem: Arquivo pessoal

Para mim, um dos pontos mais valiosos foi a troca com outros pesquisadores que trabalham com exploração madeireira ilegal, tema que lidero aqui no Imazon. Conversar com quem enfrenta desafios semelhantes em outros países e contextos, comparar métodos e ouvir como cada grupo lida com a detecção e a rastreabilidade da madeira foi muito enriquecedor. Saí com novas ideias e conexões para fortalecer o nosso trabalho.

Em parceria com Caroline Sartorato, da Universidade de Chalmers, apresentamos, em formato de pôster, o estudo "New listings, persistent demands: quantifying illegality risks for CITES Appendix II tree species in Brazil", que aborda os riscos de ilegalidade associados a espécies arbóreas brasileiras listadas no Apêndice II da CITES.

Voltar com novas ideias, novas redes e a certeza de que ciência, tecnologia e cooperação internacional precisam andar juntas para proteger as florestas e quem depende delas!

New listings, persistent demands: quantifying illegality risks for CITES Appendix II tree species in Brazil

New listings, persistent demands: quantifying illegality risks for CITES Appendix II tree species in Brazil

Autores Caroline S.S. Franca, U. Martin Persson, Vinicius Silgueiro, Vinicius O.B. Costa, Nelson Jaén-Barrios, Dalton RRS Cardoso, José Guilherme Roquette, Camila Damasceno, André P. Dias, Cláudia Mello, Manolo Quintillan, Yanka Alves, José Pedro Z. Janducci, Marcondes G. Coelho Jr., Carlos Souza Jr., Allan V. Jordani

Ano: 07/10/2026

Meio de
Publicação: Artigo

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