Pará registra maior exploração madeireira dos últimos cinco anos

Do total mapeado, 41.538 hectares (68%) foram explorados em áreas autorizadas e 19.126 hectares (32%) de forma ilegal

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Exploração madeireira - Ascom Segup
Exploração madeireira - Ascom Segup

Entre agosto de 2024 e julho de 2025, o Pará registrou 60.664 hectares de exploração madeireira, a maior área em cinco anos. Do total mapeado, 41.538 hectares (68%) foram explorados em áreas autorizadas e 19.126 hectares (32%) de forma ilegal. Os dados são do Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex), da Rede Simex, que integra três instituições de pesquisa ambiental: Imazon, ICV e Imaflora.

O resultado representa um aumento de aproximadamente 40% em relação ao ciclo anterior, de agosto de 2023 a julho de 2024. Enquanto a atividade autorizada cresceu mais de 83% em relação ao último calendário, a realizada sem autorização diminuiu cerca de 6%. Com isso, o Pará alcançou a segunda menor área de exploração madeireira dos últimos cinco anos, atrás apenas do período de agosto de 2021 a julho de 2022, quando foram registrados 17.897 hectares.

Período analisado pela Rede Simex (Calendário Prodes)

Total de exploração madeireira (hectare)

Exploração madeireira legal (hectare)

Exploração madeireira ilegal (hectare)

Agosto de 2019 a Julho de 2020

50.139 

27.595 

22.544 

Agosto de 2020 a Julho de 2021 

57.079 

23.390 

33.690 

Agosto de 2021 a Julho de 2022

38.552 

20.655 

17.897 

Agosto de 2022 a Julho de 2023

52.105 

30.274 

21.832 

Agosto de 2023 a Julho de 2024

43.052 

22.650 

20.402 

Agosto de 2024 e julho de 2025

60.664 

41.538 

19.126 

Por meio de imagens de satélite, os pesquisadores identificam as áreas onde houve retirada de madeira e verificam se havia autorização para a atividade, ou seja, se foi realizada sob manejo florestal sustentável aprovado pelo órgão competente. Para isso, consultam informações do Sistema de Monitoramento e Licenciamento Ambiental do Pará (Simlam-PA), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas-PA), do Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) e do Serviço Florestal Brasileiro (SFB). Em imóveis privados, o sistema avalia a consistência das autorizações emitidas pela Semas-PA, cruzando as informações dos documentos com as imagens de satélite. 

A pesquisadora do Imazon, Camila Damasceno, explica que a redução da extração ilegal é algo positivo, mas ainda representa uma extensão equivalente a mais de 19 mil campos de futebol de florestas afetadas. “Os números mostram que há muito a avançar. Precisamos fortalecer a fiscalização, ampliar as ações de combate e responsabilização dos infratores e criar mecanismos de incentivo ao manejo florestal, principalmente o comunitário”, pontua.

Carlos Souza Jr., coordenador do programa de monitoramento da Amazônia do Imazon, completa: “Comemorar apenas a queda percentual da área seria ignorar o impacto concreto na floresta. Considerando um cenário conservador de extração de 2 a 3 árvores por hectare, foram derrubadas e inseridas no fluxo comercial entre 38 mil e 57 mil árvores, sem plano de manejo, vistoria ou rastreabilidade de sua procedência. Quando essa quantidade massiva de madeira chega ao mercado sem garantia de origem, todo o setor florestal é prejudicado, enfraquecendo os esforços de transparência e os investimentos de quem opera de forma regularizada no estado”.

Paragominas reduz índice de ilegalidade em quase 70%

Entre os dez municípios paraenses com maior exploração madeireira ilegal entre agosto de 2024 e julho de 2025, Ipixuna do Pará ocupa a primeira posição, com 2.380 hectares. Na sequência, aparecem Rondon do Pará, com 2.371 hectares, e Moju, com 2.304 hectares. Somados, os três concentram 7.055 hectares, o equivalente a quase 37% de toda a atividade sem autorização detectada no estado.

Município

Hectare

Ipixuna do Pará

2.380

Rondon do Pará

2.371

Moju

2.304

Tomé-Açu

1.729

Medicilândia

1.425

Porto de Moz

1.372

Prainha

1.332

Portel

1.256

Paragominas

1.170

Goianésia do Pará

876


Outro destaque é Tomé-Açu, que ocupa o quarto lugar no ranking, com 1.729 hectares. A cidade chama a atenção por aparecer entre os dez com maior extensão sem regularização desde o início do levantamento da Rede Simex, evidenciando a permanência do problema.

Já Paragominas apresenta um cenário de queda. Embora também apareça entre os que tiveram maior extração sem autorização desde o início dos registros da Rede Simex, conseguiu reduzir essa atividade em quase 70%. A área identificada passou de 3.823 hectares, entre agosto de 2023 e julho de 2024, para 1.170 hectares, de agosto de 2024 a julho de 2025.

A presença frequente de algumas localidades entre as que mais registram exploração ilegal reforça a necessidade de ações de fiscalização direcionadas, afirma Camila. “Rondon do Pará e Goianésia do Pará, por exemplo, aparecem nessa relação há cinco anos. Essa repetição demonstra que é preciso intensificar a atuação dos órgãos responsáveis pelo controle ambiental, além de fortalecer alternativas de produção sustentável que contribuam para reduzir a pressão sobre a floresta”, observa.

Terras indígenas concentram apenas 2% da exploração ilegal, mas invasões persistem

As terras indígenas registraram 424 hectares de extração de madeira ilegal entre agosto de 2024 e julho de 2025. Esse é o segundo menor volume da série histórica do Simex, ficando atrás apenas do calendário de agosto de 2019 a julho de 2020, quando foram identificados 158 hectares. O resultado corresponde a apenas 2% de toda a atividade sem autorização detectada no Pará, reforçando a importância desses territórios como barreiras à expansão de crimes ambientais.

Apesar desse cenário, toda a ilegalidade identificada no período ficou concentrada em um único local: a Terra Indígena Amanayé. Camila enfatiza que esta é a quinta vez consecutiva em que a TI aparece nos boletins da Rede Simex, evidenciando a continuidade das invasões.

“A redução da extensão afetada não significa que o problema esteja resolvido. A ocorrência de exploração ilegal em uma área protegida é extremamente sensível e exige atenção urgente. Além dos danos ambientais, essas ações representam violações aos direitos dos povos originários, expondo as comunidades a conflitos, ameaças e restrições ao direito de circular livremente em sua própria terra, com possíveis impactos sobre a saúde e os modos de vida tradicionais”, explica a pesquisadora.

Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex) - Mapeamento da exploração madeireira no Pará - Agosto de 2024 a Julho de 2025

Sistema de Monitoramento da Exploração Madeireira (Simex) - Mapeamento da exploração madeireira no Pará - Agosto de 2024 a Julho de 2025

Autores Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)

Ano: 04/11/2026

Meio de
Publicação: Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon)

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