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Assentamentos da reforma agrária na Amazônia: lições aprendidas para dar escala à restauração
23/10/25
A Regeneração Natural Assistida (RNA) é um conjunto de práticas que visa melhorar e acelerar a recuperação de ecossistemas (Chazdon et al., 2023). Para isso, técnicas são empregadas para remover ou reduzir barreiras à regeneração natural com intervenções humanas mínimas, como a instalação de cercas ou o plantio de enriquecimento (Shono et al., 2020). A RNA se mostra promissora para escalar a restauração de paisagens e florestas, pois demanda pouca intervenção humana e possui baixo custo para implementação.
Os assentamentos da reforma agrária, com significativa presença na Amazônia, emergem como peças centrais tanto no desafio quanto na solução para os esforços de restauração na região. Os assentamentos rurais concentram cerca de 15% das áreas de vegetação secundária mapeadas na Amazônia (Pinto et al., 2021; Guimarães et al., 2025), o que evidencia o potencial estratégico desses territórios para impulsionar a regeneração natural por meio de práticas como a RNA.
Para que iniciativas de restauração tenham maior chance de sucesso, trazendo benefícios duradouros para as pessoas e a natureza, é necessário incluir dimensões sociais e econômicas no processo, com uma abordagem participativa que responda a motivações locais (Tedesco et al., 2023). Com esse foco, foi estabelecida uma parceria entre o projeto “Promovendo e Implementando a Regeneração Natural Assistida no Mato Grosso e Pará” e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para promover a restauração florestal em assentamentos da reforma agrária. O projeto, executado pelo WRI Brasil em parceria com o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e Instituto Centro de Vida (ICV) e com o apoio da Iniciativa Internacional da Noruega para o Clima e as Florestas (NICFI), visa restaurar florestas degradadas na Amazônia brasileira através da implementação da RNA em municípios desses estados. Já o MST, possui uma meta de plantar 100 milhões de árvores até 2030 e fortalecer a produção de alimentos saudáveis nos assentamentos e acampamentos da reforma agrária no Brasil, estabelecida pelo Plano Nacional “Plantar Árvores, Produzir Alimentos Saudáveis”, lançado em 2020.
Com objetivos em comum, a parceria buscou promover a restauração em cinco assentamentos no estado do Pará (Figura SE1), adotando duas abordagens a partir das condições específicas de cada território: a regeneração natural assistida (RNA) e os sistemas agroflorestais (SAFs1 ). Essas abordagens mesmo quando aplicadas em contextos distintos, podem ser complementares na promoção de benefícios sociais, econômicos e ambientais. Os assentamentos já possuíam áreas com SAF implementadas em diversos lotes antes da chegada do projeto e as áreas de regeneração natural (RN), embora numerosas, careciam das ações sistemáticas que envolvem a RNA, como enriquecimento com espécies nativas, proteção contra interferências externas e manejo voltado à aceleração da sucessão ecológica. Assim, identificou-se um potencial para ampliar os arranjos agroflorestais produtivos, além da disseminação da RNA e qualificação dessas áreas, através do aporte técnico e material — como capacitações, insumos e infraestrutura (cercas, viveiros etc.) — que poderiam ser viabilizados pelo projeto. A parceria priorizou a adoção de uma abordagem participativa que, ao incorporar objetivos e motivações locais, pudesse promover a restauração de forma eficiente e duradoura, conciliando metas nacionais ou subnacionais de restauração com benefícios para os atores locais.
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