O Estado de Áreas Protegidas: estradas

O Estado de Áreas Protegidas: estradas

EstadoAPS estradas1 229x300 - O Estado de Áreas Protegidas: estradasRibeiro, J., Nunes, S., Souza Jr., C. 2018. O Estado de Áreas Protegidas: Estradas não oficiais em Áreas Protegidas (p. 11). Belém: Imazon.

A construção desordenada de estradas na Amazônia está ameaçando e pressionando fortemente as áreas protegidas (APs) da região. Apesar de exercerem um papel fundamental para frear o avanço de estradas, as APs não impedem que esses vetores causem danos dentro e no entorno dessas áreas. Por exemplo, até 2012, foram mapeados 47.734 km de estradas no interior de APs no bioma Amazônia. As estradas oficias, construídas principalmente a partir da década de 1970 pelos programas governamentais de colonização e integração nacional, reduzem o isolamento das populações locais e facilitam o acesso e escoamento dos recursos naturais da região (Perz et al., 2005). Por outro lado, são vetores de graves impactos ambientais e socioeconômicos para atender principalmente à demanda de madeireiros, pecuaristas e grileiros (Souza Jr. et al, 2005). As estradas não oficiais são construídas, em grande parte, para a exploração dos recursos naturais, sem qualquer planejamento com a malha viária oficial e sem as autorizações exigidas por lei, representando o primeiro passo para destruição da floresta (Brandão et al., 2007). Essas estradas não constam nos mapas oficiais e o seu mapeamento é essencial para entender o processo de ocupação não planejada da Amazônia e as ameaças e pressões em APs.

Neste capítulo apresentamos os resultados do mapeamento da ameaça e pressão provocadas pela abertura de estradas em APs no bioma Amazônia até 2016. Consideramos uma ameaça estradas construídas num raio de até 10 km no entorno da área protegida, por representarem um risco iminente de avançar para o interior da AP. Por pressão consideramos estradas construídas no interior da AP, provocada principalmente pela busca por recursos naturais. Esta forma de intervenção pode levar a desafetação ou redução da área protegida. A Terra Indígena (TI) Baú, por exemplo, perdeu mais de 300 mil hectares em 2003 (Portaria nº 1.487/2003) devido à pressão causada por conflitos entre índios Kayapó, posseiros, madeireiros, mineradores e políticos da região (Heron et al., 2014).

Para a avaliação utilizamos os dados de áreas protegidas de 2017 do Instituto Socioambiental (ISA); mapas de estradas até 2012 e de 2016 do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e mapas de desmatamento de 2016 do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), do Imazon (Agosto 2015 a Julho de 2016).

Para a análise, selecionamos as APs pelo seu tipo de uso: Unidade de Conservação de Proteção Integral (PI), Unidade de Conservação de Uso Sutentável (US) e Terra Indígena  (TI) com maior ameaça e pressão de desmatamento em 2016 consultando o relatório Desmatamento em Áreas Protegidas 2018. Em seguida, por meio de imagens de satélite Landsat até 2012 e de 2016, mapeamos e classificamos nessas APs as estradas não oficiais, isto é, aquelas não consideradas nos mapas oficiais (Brandão et al., 2006). E com isso, conseguimos quantificar e apresentar os resultados através de mapas e rankings de APs com maior ameaça e pressão (Figura 1).

 

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