A destruição na porção brasileira do bioma costuma aumentar na época que vai de junho a setembro ou outubro, pois são os meses mais secos do ano na região. E os indicadores já disponíveis mostram que 2020 pode ser ainda pior em termos de derrubada da vegetação e de queimadas do que foi 2019.

O período de 2005 a 2012 foi justamente o auge da aplicação do PPCDAm.

“Essa foi uma experiência (o PPCDAm) exitosa e reconhecida internacionalmente. Ela tinha vários pilares, mas o que o tornou único foi o nível de articulação entre os diferentes setores. Não só do governo, mas também do setor privado e da sociedade civil organizada. Todos os setores dialogavam muito nesta época, que não é algo que estamos vendo acontecer agora”, diz o geólogo Carlos Souza Jr., pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e doutor em Geografia pela Universidade da Califórnia de Santa Barbara.

“A outra coisa era a transparência. Você tinha metas e, depois da implementação do plano, tinha prestação de contas. E esse processo era muito transparente e aberto à sociedade, o que permitia ajustes”, conta ele.

“O Brasil chegou a 2012 com um nível de desmatamento muito baixo, em relação a 2004. Foi uma queda expressiva, mas fruto de muito esforço. Um esforço continuado”, diz Carlos Souza Jr.

A especialidade de Carlos é a área de sensoriamento remoto — isto é, o uso de imagens de satélite para “vigiar” a floresta. Segundo ele, hoje, o monitoramento por satélites é usado apenas para constatar o desmatamento depois que acontece. Ao passo que antes, a ferramenta era usada para guiar as fiscalizações. Este uso dos satélites era a terceira “perna” do PPCDAm.

“Hoje, a Amazônia tem os sistemas de monitoramento operacionais só reportando os aumentos (do desmatamento). Então, o monitoramento está aí só para constatar que está havendo aumento. Ao passo que, no passado, essa ferramenta foi usada de forma estratégica para concentrar nas áreas críticas, onde tinha foco de devastação”, diz ele.

O especialista conta ainda que o PPCDAm envolvia uma lista de “municípios críticos” em desmatamento — quem caía nessa lista tinha dificuldades no acesso ao crédito rural e a investimentos privados. Para deixar a lista, era preciso tomar medidas para controlar a destruição da floresta.

“Vários municípios se engajaram no plano de controle do desmatamento para sair dessa lista. A saída não acontecia por negociação política. E sim pela efetividade no controle (da destruição)”, diz Carlos Souza Jr.

“O Brasil foi pouco ambicioso. Quando chegamos no patamar de cinco mil quilômetros quadrados (desmatados ao ano), em 2012, começou-se a festejar, a entrar na zona de conforto. Quando justamente ali a gente deveria ter sido mais ambicioso e colocado uma meta de desmatamento zero”, diz ele à BBC News Brasil.

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Imagem em destaque: Getty Images (Reprodução/BBC News Brasil)

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