Mudanças climáticas dão o tom de bate-papo  sobre sustentabilidade em Belém

Mudanças climáticas dão o tom de bate-papo sobre sustentabilidade em Belém

“A Alemanha tem menos sol que o Brasil e tem oito milhões de micro-geradores de energia a partir de telhados solares. Eles estão sendo mais inteligentes e eficientes, substituindo as fontes nucleares por fontes inovadoras e não fósseis”. Foi com essa fala que o jornalista André Trigueiro começou sua sessão de bate-papo dentro do evento “Literatura & Sustentabilidade 3”, realizado no último sábado em Belém pelo Imazon.
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Junto a André, os jornalistas Matthew Shirts – redator-chefe da National Geographic Brasil –, Míriam Leitão – Rede Globo – e o consultor ambiental Tasso Azevedo conversaram com o pesquisador sênior e co-fundador do Imazon Beto Veríssimo, com a participação de uma plateia de 300 pessoas dentro da anual Feira Pan Amazônica do Livro, onde o evento ocorre desde 2012.

“Sim, existem mudanças climáticas acontecendo no planeta e a maior parte das causas está relacionada a processos do homem”, falou Tasso citando o quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC-ONU). “A emissão de gases de efeito estufa é o que melhor explica o fenômeno que está acontecendo, sobre isso não há mais dúvida nenhuma. Para comparar de uma forma simples, pode-se dizer que o planeta já está com febre, a temperatura média da Terra já aumentou 1 grau desde o início da era industrial, para uma média anterior de cerca 14 graus”, alertou o consultor.

Para Matthew Shirts, a história do aquecimento global foi a mais difícil de ser contada na National Geographic. “A mesma coisa que Tasso tenta fazer ao engajar líderes e tomadores de decisão, a revista também vinha fazendo com o público leitor. São poucas boas notícias e o tema é complexo”, explicou o jornalista ao descrever os esforços de disseminação até a criação do “Planeta Sustentável”, uma iniciativa multiplataforma de comunicação que tem a missão de difundir conhecimentos sobre desafios e soluções para as questões ambientais, sociais e econômicas.

Respondendo a questionamentos do público, os convidados trataram também do impacto das fontes de energia contratadas no Brasil. “Hidrelétricas são, apenas no Brasil e em mais cerca de oito países, muito importantes, mas o futuro da geração de energia não está nelas. No ano passado foram contratados a geração de 75 gigawatts de energia elétrica de fonte eólica e solar enquanto todas as hidrelétricas contratadas no mundo inteiro não chegam a 10 gigawatts”, contou Tasso. “A questão é que é uma fonte de energia renovável, de baixíssimo custo, mas que está sendo implantada no país em locais onde não é possível fazer grandes lagos, que permitem uma geração de energia mais perene”, avaliou.

O jornalista André Trigueiro continuou abordando o tema da geração de energia trazendo para a conversa suas experiências de recentes viagens à Alemanha e à China, que enfrenta muitos problemas quanto à poluição do ar. “Eles queimam muito carvão para produzir energia, licenciam um milhão de novos veículos por mês – que também queimam combustível –, e existem fatores climáticos em algumas partes do ano que não permitem a dispersão dos gases. Apenas em Pequim, estima-se que haja oito mil óbitos por ano causados por complicações respiratórias”, relatou o jornalista. “Nas grandes cidades brasileiras, essa multiplicação de carros já começa a impactar indicadores de saúde pública”.

Míriam Leitão, que encerrou o evento, demonstrou surpresa com algo que a jornalista de economia e negócios da Rede Globo esperava presenciar apenas no futuro: o stress hídrico. “De repente, parece que o futuro veio visitar São Paulo. O que também surpreende é como é lenta e errada a reação dos administradores públicos. Tenho o depoimento de uma garota de sete anos dizendo ‘a água vai acabar’ gravado em 2012 e o Governo não conseguiu tomar as providências mesmo anos depois de um problema potencial”, falou preocupada.

A jornalista aproveitou a presença na XVIII Feira Pan Amazônica do Livro para lançar em Belém os seus dois primeiros livros infantis: “A menina de nome enfeitado” e a fábula ecológica “A perigosa vida dos passarinhos pequenos”, que contaram com sessão de autógrafo ao lado de André Trigueiro.

Literatura & Sustentabilidade 3 foi realizado pelo Imazon em parceria com a Hydro, Grupo MB Capital, Skoll Foundation e Sol Informática, e tem o apoio do Governo do Estado do Pará – Secretária de Cultura (SECULT) e XVIII Feira Pan Amazônica do Livro.