Desmate cai 97%; nuvens distorcem dado do Inpe

Desmate cai 97%; nuvens distorcem dado do Inpe

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, garantiu que 2009 terá o menor índice de desmatamento dos últimos 20 anos. “Estamos otimistas”, disse ele ontem, ao comentar os últimos registros do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Em abril, o sistema Deter detectou 36,8 quilômetros quadrados de área derrubada, um índice 97% menor do que o registrado no mesmo período de 2008.

A cobertura de nuvens – que impede o sistema de detectar eventuais áreas desmatadas -, porém, foi bastante significativa: 73%, bem maior do que os 53% apresentados em 2008. Apesar da área pequena monitorada, Minc assegura que houve redução: “Parte dela foi da cobertura de nuvens, mas houve um aumento brutal das ações (de combate ao desmatamento)”.

Contrariando a posição do ministro, o Inpe informou ontem, em nota, que a taxa elevada de cobertura de nuvens registrada nos meses de fevereiro, março e abril – o chamado “inverno amazônico” – não permite comparações com o que aconteceu no ano passado.

No período, 80% dos 5,2 milhões de quilômetros quadrados da região estavam encobertos, o que comprometeu a observação feita pelos sensores do satélite americano Terra e do sino-brasileiro CBERS-2B, focada em áreas maiores de 25 hectares. “Como a densa cobertura de nuvens reduziu muito a capacidade de observação por satélites, não é possível afirmar que estes números representem uma redução no desmatamento em relação ao mesmo período de 2008”, disse o Inpe.

O Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real, Deter, registrou somente 197 km² de corte raso ou degradação nos três meses: 143 km² em fevereiro, 17 km² em março e 37 km² em abril. Mato Grosso concentrou 111 km² (56% do total) de desmatamento).

O Estado tradicionalmente aparece como grande desmatador nessa época porque outras áreas críticas da Amazônia Legal estão totalmente encobertas. Quando a seca chega, os satélites conseguem ver o que aconteceu no Pará, por exemplo, outro Estado que costuma registrar taxas elevadas de derrubada, explica Laurent Micol, coordenador executivo do Instituto Centro de Vida, ONG com atuação em Mato Grosso. “Todo ano temos a mesma dinâmica”, diz.

Um sistema paralelo de detecção do desmatamento, rodado de forma independente e com outra metodologia pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), também indica que a presença de nuvens “pode ter subestimado os dados de desmatamento nesse período”.

Em um relatório divulgado na semana passada, o Imazon apontava 57 km² de desmatamento registrado em março e 121 km² em abril. “Isso significou uma redução de 50% em relação a março de 2008 e de 22% para abril de 2008”, explica o instituto. Mato Grosso novamente aparece como o Estado que mais desmatou, em março e em abril.

PROMESSA

As chuvas intensas diminuem o ritmo do desmate, mas não o impedem. Em vez de derrubar todas as árvores com tratores, costuma-se fazer o “desbaste” – corte seletivo das árvores menores para adiantar a completa limpeza do terreno na época da seca, que atinge o pico no meio do ano.

Minc anunciou que o esforço deverá ser redobrado nos próximos dois meses, quando a atividade madeireira na região amazônica ganha impulso. “Vamos redobrar a fiscalização”, disse.

No dia 19 deverá ser retomada a Operação Arco Verde, focado nos 36 municípios que mais desmatam. “Eu, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros vamos levar crédito e regularização fundiária para os municípios prioritários”, contou o ministro. Uma das medidas que deverão ser apresentadas é a oferta de assessoria técnica para produtores. “O grande problema dessa população é não ter alternativa. É isso que vamos atacar desta vez.”

Neste mês, de acordo