Boletim do Desmatamento (SAD) (Outubro de 2012)

RESUMO

Em outubro de 2012, o Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) detectou 487 quilômetros quadrados de desmatamento na Amazônia Legal. Isso representou um aumento de 377% em relação a outubro de 2011 quando o desmatamento somou 102 quilômetros quadrados. Devido a cobertura de nuvens, foi possível monitorar 83% do território, um valor bem superior a outubro de 2011 (51%).

O desmatamento acumulado no período de agosto de 2012 a outubro de 2012 totalizou 1.151,6 quilômetros quadrados. Houve aumento de 125% em relação ao período anterior (agosto de 2011 a outubro de 2011) quando o desmatamento somou 511 quilômetros quadrados.

Em outubro de 2012, pouco mais de um terço (36%) do desmatamento ocorreu no Pará e um pouco menos (30%) em Mato Grosso. O restante ocorreu no Amazonas com 17%, Rondônia com 12% e outros Estados (Acre, Tocantins e Roraima).

As florestas degradadas na Amazônia Legal somaram 266,5 quilômetros quadrados em outubro de 2012. Em relação a outubro de 2011, quando a degradação florestal somou 456 quilômetros quadrados, houve uma diminuição de 42%.

A degradação florestal acumulada no período (agosto 2012 a outubro 2012) atingiu 611 quilômetros quadrados. Em relação ao período anterior (agosto de 2011 a outubro de 2011), quando a degradação somou 1.245 quilômetros quadrados, houve redução de 51%.

Em outubro de 2012, o desmatamento detectado pelo SAD comprometeu 26 milhões de toneladas de CO2 equivalente. No acumulado do período (agosto 2012 a outubro de 2012) as emissões de CO2 equivalentes comprometidas com o desmatamento totalizaram 57 milhões de toneladas, o que representa um aumento de 27% em relação ao período anterior (agosto de 2011 a outubro de 2011).

ESTATÍSTICA DE DESMATAMENTO

De acordo com o SAD, o desmatamento (supressão total da floresta para outros usos alternativo do solo) atingiu 487 quilômetros quadrados em outubro de 2012 (Figura 1 e Figura 2). Isso representou um aumento de 377% em relação a outubro de 2011 quando o desmatamento atingiu 102 quilômetros quadrados.

 

O desmatamento acumulado no período de agosto de 2012 a outubro de 2012[1], correspondendo aos três meses do calendário oficial de medição do desmatamento, atingiu 1.151,6 quilômetros quadrados. Houve aumento de 125% do desmatamento em relação período anterior (agosto de 2011 a outubro de 2011) quando atingiu 511,7 quilômetros quadrados.

Em outubro de 2012 pouco mais de um terço (36%) do desmatamento ocorreu no Pará enquanto um pouco menos de um terço (30%) no Mato Grosso com 30%. O restante do desmatamento ocorreu no Amazonas com 17%, Rondônia com 12%, Acre (2%), Tocantins (2%) e Roraima (0,5%).

 

Considerando o desmatamento acumulado nos três meses do calendário atual de desmatamento (agosto de 2012 a outubro de 2012), o Pará lidera o ranking com 51% do total desmatado. Em seguida aparece o Mato Grosso com 22%, Rondônia com 13% e o Amazonas com 12%. Esses quatros estados foram responsáveis por 97% do desmatamento ocorrido na Amazônia Legal nesse período.

Houve aumento de 125% no desmatamento ocorrido em agosto de 2012 a outubro de 2012 quando comparado com o período anterior (agosto de 2011 a outubro de 2011) (Tabela 1). Em termos relativos, houve redução de 73% apenas em Roraima e 41% no Acre. Por outro lado, houve aumento de 235% no Amazonas, 167% no Pará, 154% no Mato Grosso, 82% no Tocantins e 27% em Rondônia.

Em termos absolutos, o Pará lidera o ranking do desmatamento acumulado com 591quilômetros quadrados, seguido pelo Mato Grosso (249 quilômetros quadrados), Rondônia (145 quilômetros quadrados), Amazonas (134 quilômetros quadrados),Tocantins (20 quilômetros quadrados), Acre (10 quilômetros quadrados) e Tocantins (3 quilômetros quadrados).

 

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[1] O calendário oficial de medição do desmatamento tem início no mês de agosto e término no mês de julho.

DEGRADAÇÃO FLORESTAL

Em outubro de 2012, o SAD registrou 266,5 quilômetros quadrados de florestas degradadas (florestas intensamente exploradas pela atividade madeireira e/ou queimadas) (Figuras 2 e 4). Em relação ao mesmo período do ano anterior (agosto de 2011 a outubro de 2011) houve uma diminuição de 42% quando a degradação florestal atingiu 456 quilômetros quadrados.

 

A degradação florestal acumulada no período de agosto de 2012 a outubro de 2012[2] atingiu 611 quilômetros quadrados. Isso representa uma redução de 51% na degradação florestal acumulada nesse período (agosto de 2012 a outubro de 2012) em relação ao mesmo período anterior (agosto de 2011 a outubro de 2011) quando a degradação florestal somou 1.245 quilômetros quadrados (Tabela 2). As maiores reduções foram Acre (-100%), Roraima (-100%), Mato Grosso (-71%), Amazonas (-69%), Rondônia (-25%). No Pará houve aumento (+33%).

Em termos absolutos, o Mato Grosso lidera o ranking da degradação florestal acumulada com 283 quilômetros quadrados (46%), seguido pelo Pará com 250 quilômetros quadrados (41%). O restante (13%) ocorreu em Rondônia (48,5quilômetros quadrados), Tocantins (25 quilômetros quadrados) e Amazonas (4,7quilômetros quadrados).

 

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[2] O calendário oficial de medição do desmatamento tem início no mês de agosto e término no mês de julho.

CARBONO COMPROMETIDO PELO DESMATAMENTO

Em outubro de 2012, os 487 quilômetros quadrados de desmatamento detectado pelo SAD na Amazônia Legal comprometeram 7 milhões de toneladas de carbono (com margem de erro de 451 mil toneladas de carbono). Essa quantidade de carbono comprometido pode resultar em emissões de 26 milhões de toneladas de CO2 equivalente (Figura 6).

O carbono florestal comprometido pelo desmatamento no período de agosto de 2012 a outubro de 2012 foi de 15 milhões de toneladas (com margem de erro de 385 mil toneladas), o que representou cerca de 57 milhões de toneladas de CO2 equivalente (Figura 6). Em relação ao mesmo período do ano anterior (agosto de 2011 a outubro de 2011) quando o carbono florestal comprometido foi de 8,7 milhões de toneladas, houve aumento de 72% na quantidade de carbono comprometido pelo desmatamento.

GEOGRAFIA DO DESMATAMENTO

Em outubro de 2012, grande parte (62%) do desmatamento ocorreu em áreas privadas ou sob diversos estágios de posse. O restante do desmatamento foi registrado em Unidade de Conservação (12%), Terra Indígena (3%) e Assentamentos de Reforma Agrária (23%) (Tabela 3).

 

ASSENTAMENTOS DE REFORMA AGRÁRIA

O SAD registrou 111 quilômetros quadrado de desmatamento nos Assentamentos de Reforma Agrária durante outubro de 2012 (Figura 7). Os 10 Assentamentos mais afetados pelo desmatamento foram PA Rio Juma (Apuí; Amazonas), PA Nova Cotriguaçu (Cotriguaçu, Mato Grosso), PA Tibaji (Brasnorte, Mato Grosso), PA Monte (Lábrea, Amazonas), PA Acari (Novo Aripuanã, Amazonas), PA Boa Esperança I e II (Nova Ubiratã, Mato Grosso), PDS Terra Nossa (Altamira, Pará), PA Mutupi (Manicoré, Amazonas), PDS Cernambi (Machadinho do d’Oeste, Rondônia) e PDS Mãe Menininha (Altamira, Pará).

 

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[3] Inclui áreas privadas (tituladas ou não) e florestas públicas não protegidas.

ÁREAS PROTEGIDAS

O SAD detectou 58 quilômetros quadrados de desmatamento em Unidade de Conservação em outubro (Figura 8)[4]. As Unidades de Conservação mais desmatadas foram a APA Triunfo do Xingu (Pará), FLOREX Rio Preto-Jacundá (Rondônia), APA Rio Pardo (Rondônia), FLONA do Jamanxim (Pará), FLONA do Bom Futuro (Rondônia), FLORSU Mutum (Rondônia), APA do Igarapé São Francisco (Acre), APA Margem Esquerda do Rio Negro (Amazonas), APA Caverna do Maroaga (Amazonas) e APA Leandro (Ilha do Bananal/Cantão) (Tocantins). No caso das Terras Indígenas, em outubro de 2012 foi detectado 17 quilômetros quadrados de desmatamento nas Terras Apyterewa (Pará), Poyanawa (Acre), Panará (Mato Grosso), Kayabi (Pará), Gavião (Amazonas), Arara do Rio Branco (Mato Grosso), Tenharim Marmelos (Gleba B) (Amazonas) e Karitiana ( Rondônia) (Figura 9).

 

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[4] Nesse mês de outubro adotamos o limite redefinido pelo ICMBio para a Flona de Altamira (http://www.icmbio.gov.br/portal/biodiversidade/unidades-de-conservacao/biomas-brasileiros/amazonia/unidades-de-conservacao-amazonia/1923-flona-altamira.html).

MUNICÍPIOS CRÍTICOS

Em outubro de 2012, os municípios mais desmatados foram: Colniza (Mato Grosso) e São Félix do Xingu (Pará) (Figura 10 e 11).

 

COBERTURA DE NUVEM E SOMBRA

Em outubro de 2012, foi possível monitorar com o SAD 83% da área florestal na Amazônia Legal. Os outros 17% do território florestal estavam cobertos por nuvens o que dificultou a detecção do desmatamento e da degradação florestal. Os Estados com maior cobertura de nuvem foram Amapá (50%), Pará (20%), Amazonas (17%) e Acre (17%). Em virtude disso, os dados de desmatamento e degradação florestal em outubro de 2012 podem estar subestimados (Figura 12).

 

GOOGLE SAD-EE

Desde junho de 2012 a detecção de alertas desmatamento e de degradação florestal vem sendo realizada na plataforma Google Earth Engine (EE), com a nova versão SAD EE. Esse sistema foi desenvolvido em colaboração com a Google e utiliza o mesmo processo já utilizado pelo SAD, com imagens de reflectância do MODIS para gerar os alertas de desmatamento e degradação florestal.

NOTAS

Equipe Responsável:

Coordenação Geral: Antônio Fonseca, Heron Martins, Carlos Souza Jr, e Adalberto Veríssimo (Imazon)

Equipe: Marcio Sales (Modelagem e estatística), Rodney Salomão, Amintas Brandão Jr. (Geoprocessamento), João Siqueira, Marcelo Justino e Júlia Ribeiro (Intrepretação de imagem), Kátia Pereira e Victor Lins (ImazonGeo) e Bruno Oliveira e Stefânia Costa (Comunicação)

Fonte de Dados:

As estatísticas de desmatamento são geradas a partir dos dados do SAD (Imazon) e dados do INPE – Desmatamento (PRODES)

Agradecimento:

Google Earth Engine Team http://earthengine.google.org/

Apoio:

ClimateWorks através da Climate Land Use Aliance (CLUA), Fundação Gordon & Betty Moore, Fundo Vale e Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA-PA).

Parcerias:

Secretaria de Estado de Meio Ambiente do Pará (SEMA), Secretaria de Meio Ambiente do Mato Grosso (SEMA), Secretaria de Meio Ambiente do Pará (SEMA), Ministério Público Federal do Pará, Ministério Público Estadual do Pará, Ministério Público Estadual de Roraima, Ministério Público Estadual do Amapá, Ministério Público Estadual de Mato Grosso E Instituto Centro de Vida (ICV- Mato Grosso).

This post was published on 22 de outubro de 2012

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imazon

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