Desmatamento na Amazônia cresce 23% em novembro, mostra Imazon

Desmatamento na Amazônia cresce 23% em novembro, mostra Imazon

O Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon detectou, em novembro do ano passado, 354 km² de desmatamento na Amazônia. Esse número representa um aumento de 23%, em comparação com novembro de 2018. Pelo quinto mês consecutivo, o Pará foi o responsável pela maior parte da devastação registrada na floresta. O estado lidera o ranking do desmatamento com 58% da área total desmatada, em seguida vem Mato Grosso (16%), Rondônia (9%), Amazonas (8%), Acre (4%), Roraima (3%), Amapá (1%) e Tocantins (1%). 

Analisando o calendário do desmatamento, que vai agosto até novembro do ano passado, o sistema de monitoramento do Imazon confirma um crescimento das áreas de floresta derrubadas na Amazônia. No comparativo com os mesmos meses de 2018, o desmatamento registrado pulou de 1462 km² para 2625 km², um aumento de 80%.

Ranking do desmatamento – O Pará domina o ranking das municípios que mais desmatam na Amazônia. Dos dez municípios listados, oito ficam localizados no Pará. Pacajá, no sudeste do estado, aparece pelo terceiro mês seguido na primeira colocação da lista. Senador José Porfírio, Portel, Anapu, Novo Repartimento, São Félix do Xingu, Altamira e Uruará são os outros municípios paraenses presentes no ranking. Cláudia, no Mato Grosso, e Apuí, no Amazonas, fecham a lista. 

As unidades de conservação e as terras indígenas na Amazônia também foram alvos do desmatamento. A UC que registrou a maior perda vegetal foi a APA Upaon-Açu/Miritiba/Alto Preguiças, no Maranhão. A TI Ituna/Itatá, no Pará, registrou 13 km² de mata derrubada e aparece na primeira colocação da lista de terras indígenas que mais perderam área vegetal em novembro de 2019. 

Degradação – O SAD apresenta ainda os dados de degradação na Amazônia. Segundo o sistema de monitoramento, a área total degradada na região saltou de 10 km², em novembro de 2018, para 471 km², em novembro de 2019. O estado campeão em degradação é o Mato Grosso, responsável por 93% do total de floresta degradada em novembro do ano passado. Em seguida vem Pará, com 3%, Rondônia e Acre, ambos com 1%. 

Desmatamento e degradação – O Imazon classifica desmatamento como o processo de realização do corte raso, que é a remoção completa da vegetação florestal. Na maioria das vezes, essa floresta é convertida em áreas de pasto. Já a degradação é caracterizada pela extração das árvores, normalmente para fins de comercialização da madeira. Outros exemplos de degradação são os incêndios florestais, que podem ser causados por queimadas controladas em áreas privadas para limpeza de pasto, por exemplo, mas que acabam atingindo a floresta e se alastrando.

SAD – O Sistema de Alerta de Desmatamento é uma ferramenta de monitoramento, baseada em imagens de satélites, desenvolvida pelo Imazon para reportar mensalmente o ritmo do desmatamento e da degradação florestal da Amazônia. Operando desde 2008, atualmente o SAD utiliza os satélites Landsat 7 (sensor ETM+), Landsat 8 (OLI), Sentinel 1A e 1B, e Sentinel 2A e 2b (MSI) com os quais é possível detectar desmatamentos a partir de 1 hectare mesmo sob condição de nuvens. 

Imazon – O Imazon é um instituto brasileira de pesquisa, sem fins lucrativos, composto por pesquisadores brasileiros, fundado em Belém há 29 anos. Através do sofisticado Sistema de Alerta do Desmatamento (SAD), a organização realiza, há mais de uma década, o trabalho de monitoramento e divulgação de dados sobre o desmatamento e degradação da Amazônia Legal, fornecendo mensalmente alertas independentes e transparentes para orientar mudanças de comportamento que resultem em reduções significativas da destruição das florestas em prol de um desenvolvimento sustentável.

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Imagem em destaque: Araquem Alcântara