Imazon 35 anos: Da criação de 25 milhões de hectares de UCs ao monitoramento da biodiversidade

Imazon comemora 35 anos com conquistas que marcaram a história da conservação na Amazônia e planeja inovações para o futuro

14/07/25

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Por Fernanda da Costa, coordenadora de comunicação do Imazon

Estação Ecológica (Esec) Grão Pará, a maior unidade de conservação tropical do planeta, contou com apoio técnico do Imazon para sua criação (Foto: Ideflor-Bio)
Estação Ecológica (Esec) Grão Pará, a maior unidade de conservação tropical do planeta, contou com apoio técnico do Imazon para sua criação (Foto: Ideflor-Bio)



Em três décadas e meia de atuação científica, o Imazon fez grandes contribuições para a história da conservação da Amazônia. O instituto foi chave no apoio técnico para a criação de 25 milhões de hectares de unidades de conservação na região. Além disso, o Imazon tem tido atuação destacada na implementação do Mosaico de Áreas Protegidas do Norte do Pará, especialmente nas Unidades de Conservação (UCs) estaduais criadas em 2006.

O apoio do Imazon a criação de UCs começou no final da década de 1990. A partir de 1998, ano em que o estudo “Oportunidades para o Desenvolvimento do Estuário Amazônico“ recomendou a criação de áreas protegidas, os governos federal e dos estados homologaram várias unidades de conservação, especialmente florestas nacionais e estaduais.

Em 2000, o estudo do Imazon em parceria com o Banco Mundial “Amazônia Sustentável: Limitantes e Oportunidades para o Desenvolvimento Rural“ voltou a recomendar a criação de UCs. No mesmo ano, foram lançados o Programa Nacional de Florestas (PNF) e o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), na gestão de Fernando Henrique Cardoso (FHC).

Ao longo da década de 2000, principalmente no período de 2003 a 2006, pesquisas do instituto seguiram dando apoio a criação de UCs. Nessa época, destaca-se uma série de estudos técnicos do Imazon em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que fundamentavam a necessidade de criação desses territórios na Amazônia. Fazem parte dessa série as publicações “Informações e Sugestões para a Criação e Gestão de Florestas Públicas na Amazônia“ e “Identificação de Áreas com potencial para a Criação de Florestas Nacionais no Estado do Pará“, ambas de 2002.


Para a criação de UCs, também foi fundamental o mapeamento das informações sobre a biodiversidade. Em 2000, o Imazon foi uma das instituições organizadoras do workshop “Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade”, realizado em Macapá, no Amapá. O resultado desse evento foi o livro “Biodiversidade na Amazônia Brasileira: Avaliação de Ações Prioritárias para a Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios“, publicado pelo Imazon em parceria com várias organizações, em 2001. A obra reúne 27 artigos de conceituados pesquisadores das áreas de botânica, zoologia, ecologia, etnografia, antropologia, sociologia e economia. Em 2003, a publicação foi vencedora do Prêmio Jabuti, concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), na categoria “Ciências Naturais e Ciências da Saúde”.

Inclusão do mogno na lista de espécies ameaçadas


Quando o Imazon nasceu, em 1990, a exploração de madeira ilegal estava no auge e o mogno era a espécie madeireira mais valiosa da Amazônia. E a extração dessa árvore era pouco compreendida tanto em termos de ecologia como também em relação aos aspectos sociais e econômicos de sua exploração. Por isso, as pesquisas do Imazon na área de conservação tinham o mogno como foco central à época.

Vistoria do Ibama em área de extração de mogno e do pirarucu, em 2017 (Foto: Agência Brasil)
Vistoria do Ibama em área de extração de mogno e do pirarucu, em 2017 (Foto: Agência Brasil)

Apenas em 1992, foram três publicações relacionadas à espécie: “Mahogany extraction in the Eastern Amazon: a case study“, “Mahogany conservation: status and policy initiatives“ e ”Mahogany: natural history and management“. Esses estudos continuaram até o início dos anos 2000 e foram essenciais para que o mogno fosse incluído como ameaçado de extinção na lista da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas de Fauna e Flora (Cites), em 2002. Mesmo ano em que o instituto publicou a “Síntese da Situação do Mogno em Nível Internacional“.

Ainda nos anos 90, o Imazon também publicou estudos mais amplos sobre biodiversidade na Amazônia, como “An ecosystem perspective on threats to biodiversity in the eastern Amazonia, Pará state“, de 1993. Outra pesquisa pioneira foi sobre as espécies de árvores potencialmente ameaçadas pela exploração madeireira, chamada “An attempt to predict which Amazonian tree species may be threatened by logging activities“, de 1994. Legados científicos da área de ecologia liderados pelo co-fundador do instituto Christopher Uhl.

Imazon indicou áreas prioritárias para conservação

Outra atuação de destaque do Imazon no início da década de 2000 foi a identificação de áreas prioritárias para conservação. Em 2001, o instituto mapeou territórios com potencial para proteção por meio dos governos estaduais, como nas pesquisas “Identificação de áreas com potencial para a criação de florestas estaduais (flotas) no estado do Acre“ e “Identificação de áreas com potencial para a criação de florestas estaduais no Amapá“. No ano seguinte, em 2002, foram publicados artigos com foco na criação de florestas nacionais, como “Priority Areas for Establishing National Forests in the Brazilian Amazon“, na revista Conservation Ecology, e “National Forests in the Amazon“, na Science.

Manuais para unidades de conservação

Para apoiar o processo de criação de UCs, o Imazon publicou em 2005 o “Guia de consultas públicas para Unidades de Conservação“. Esse trabalho foi realizado em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e com o Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora).  O manual contribuiu com o que Veríssimo chamou de “período mais rico da história da conservação da Amazônia”, entre 2003 e 2006, quando foram criados mais de 50 milhões de hectares de áreas protegidas na região.

Para complementar esse guia, o Imazon ainda publicou outros dois manuais, com objetivo de auxiliar na consolidação das UCs. São eles: “Conselhos de Unidades de Conservação: Guia sobre sua criação e seu funcionamento“ e “Roteiro metodológico para elaboração de planos de manejo das Unidades de Conservação Estaduais do Pará“, ambos de 2009.

Atuação direta na proteção de 25 milhões de hectares


De 2004 a 2019, o instituto contribuiu diretamente na criação de 16 unidades de conservação na Amazônia, que somam 25 milhões de hectares. São áreas protegidas federais, estaduais e até municipal localizadas em três estados: Acre, Amazonas e Pará. O primeiro território com contribuição direta do instituto foi a Floresta Estadual (Flota) do Mogno, no Acre. A unidade de conservação foi instituída em 2004, com 143.897 hectares.

Em 2006, por meio de uma parceria com o governo do Pará, o Imazon também atuou diretamente na criação de seis unidades de conservação, que somam 15 milhões de hectares protegidos. Entre elas está a Estação Ecológica (Esec) Grão Pará, que com seus 4,2 milhões de hectares é a maior unidade de conservação tropical do planeta. “Lideramos os estudos técnicos e as consultas públicas. Foi a maior criação de áreas protegidas de uma só vez no mundo, um território que supera os estados de Santa Catarina e do Espírito Santo juntos”, lembra Veríssimo.

Unidade de Conservação

Área em 2006

Estação Ecológica (Esec) Grão Pará

4.245.819

Floresta Estadual (Flota) do Paru

3.612.914

Floresta Estadual (Flota) do Trombetas

3.172.978

Reserva Biológica (Rebio) Maicuru

1.151.761

Floresta Estadual (Flota) de Faro

635.936

Floresta Estadual (Flota) do Iriri

440.494

Total

14.939.182


O instituto também atuou na elaboração dos planos de manejo de cinco dessas unidades de conservação, que ficam localizadas no Norte do Pará e somam 13 milhões de hectares. São elas: as Florestas Estaduais (Flotas) de Faro, Trombetas e Paru, a Estação Ecológica (Esec) Grão Pará e a Reserva Biológica (Rebio) Maicuru.

Reserva Biológica (Rebio) Maicuru foi uma das UCs que teve plano de manejo criado pelo Imazon (Foto: Ideflor-Bio)
Reserva Biológica (Rebio) Maicuru foi uma das UCs que teve plano de manejo criado pelo Imazon (Foto: Ideflor-Bio)

Tarefa que motivou a contratação da engenheira florestal Jakeline Pereira, em 2007. “Para isso, teríamos que fazer várias discussões socioeconômicas e estudos da biodiversidade, do meio físico e de instituições que atuavam nos territórios. Além de apoiar a criação dos conselhos consultivos dessas cinco unidades de conservação”, explica Pereira, que desenvolve projetos do Imazon na região até hoje.

Durante esse trabalho, a pesquisadora conta que o maior desafio foi a logística de visitar as comunidades extrativistas, indígenas e quilombolas residentes nos territórios para fazer os diagnósticos socioeconômicos. Trabalho que demandou viagens por florestas de difícil acesso, muitas vezes tendo de passar por cachoeiras e acampar no caminho. “Para fazer esses diagnósticos, também passamos por uma situação delicada, que foi visitar os garimpos na Flota do Paru. Tivemos que pegar avião monomotor, descer em pistas ilegais e passar vários dias dentro da floresta para poder entrevistar essas pessoas que faziam a extração de ouro”, relata.


Publicados em 2009, os cinco planos de manejo contribuíram para que os povos e comunidades tradicionais fizessem um melhor uso do território. “Os grileiros que estavam ilegalmente nos territórios desmatando e tirando ouro ou madeira tiveram que sair, ficando apenas as populações tradicionais. Então, essas comunidades puderam receber as ações previstas nos planos de manejo, como atividades de geração de renda de forma sustentável, educação ambiental e comunicação. Hoje vemos que são populações que estão aproveitando de fato a floresta”, comemora Pereira. Dois anos depois, em 2011, o Imazon também publicou cartilhas para cada um dos planos de manejo, onde a linguagem dos documentos técnicos é simplificada com foco no melhor uso pelas comunidades.

Comunitário pescando na Flota do Trombetas (Foto: Rafael Araújo/Imazon)
Comunitário pescando na Flota do Trombetas (Foto: Rafael Araújo/Imazon)

Já em parceria com o governo federal, o Imazon ajudou a criar 6,4 milhões de áreas protegidas ao longo da BR-163, em 2006. São elas: as Florestas Nacionais (Flonas) do Amanã, do Crepori, do Jamanxim e do Trairão, os Parques Nacionais (Parnas) do Jamanxim e do Rio Novo e a Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós.

O instituto também atuou na realização de estudos técnicos para a criação do Mosaico do Apuí, no Amazonas, que possui 2,5 milhões de hectares. Instituído em 2010, o território forma conjuntamente com os parques nacionais do Juruena e dos Campos Amazônicos um bloco de 9 milhões de hectares de áreas protegidas. Este conjunto é conhecido como o “Corredor Meridional de Conservação da Amazônia”.

Mais recentemente, em 2019, o Imazon contribuiu com a criação da Área de Proteção Ambiental (APA) Jará, localizada no município de Juruti, no Pará. Com 4.850 hectares, essa foi a primeira unidade de conservação municipal a ter apoio do instituto, que realizou tanto os estudos de viabilidade técnica quanto às consultas públicas para sua implementação.

APA Jará, em Juruti, no Pará, foi a primeira UC municipal criada com apoio do Imazon (Foto: Márcio Nagano/Imazon)
APA Jará, em Juruti, no Pará, foi a primeira UC municipal criada com apoio do Imazon (Foto: Márcio Nagano/Imazon)


Em 2023, Imazon também concluiu o plano de manejo do território, onde atua até hoje. Em 2025, o instituto iniciou o projeto “Promoção do uso público da APA Jará“, que prevê o apoio à geração de renda de forma sustentável no território por meio de curso de comunicação, abertura de trilha ecológica e turismo de base comunitária.

Plano de Manejo do Parque do Utinga: legado para Belém

Outro capítulo importante da história do Imazon na área de conservação foi a elaboração, em 2013, do Plano de Manejo do Parque Estadual do Utinga, localizado em Belém, cidade sede do instituto. Criada em 1993, a unidade de conservação de 1.390 hectares teve a primeira versão de seu plano de manejo publicada no ano seguinte, em 1994. Por isso, o novo documento foi fundamental para a implantação do parque, uma das unidades de conservação de maior visitação da Amazônia.

Além de um processo de consulta pública, a atualização do plano também demandou refazer todos os estudos técnicos da fauna, da flora, dos recursos hídricos e da condição da vegetação. Análises necessárias para que o documento pudesse indicar as áreas que poderiam ser destinadas ao uso público, com a instalação de estruturas de turismo e aberturas de trilhas, por exemplo, e aquelas que deveriam ficar protegidas, por sua função de manutenção da biodiversidade. “Participamos de um esforço conjunto entre o governo do estado e a sociedade civil para a reativação dessa área, para que seu uso público se tornasse viável”, afirma Pereira.

Parque do Utinga recebe atualmente uma média de 40 mil visitantes por mês (Foto: Márcio Nagano/Imazon)
Parque do Utinga recebe atualmente uma média de 40 mil visitantes por mês (Foto: Márcio Nagano/Imazon)

Atualmente, o parque recebe em média 40 mil visitantes por mês e é um dos principais pontos turísticos de Belém. “A atualização do plano de manejo foi um presente do Imazon à cidade onde o instituto nasceu”, resume Veríssimo. Além desse trabalho, a organização também participa atualmente do conselho do parque.

Consolidação das áreas protegidas


Desde a década de 2010, outro foco do Imazon na área de conservação passou a ser o apoio à consolidação das áreas protegidas, principalmente no Norte do Pará. Trabalho que vem sendo realizado por meio de pesquisas, de projetos de campo e da participação do instituto nos conselhos desses territórios.

Conforme Pereira, esse é o maior desafio dos governos após a criação dos territórios, pois muitos deles seguem sendo invadidos e desmatados. “Infelizmente, nós ainda temos um número muito baixo de unidades de conservação com plano de manejo e conselho consultivo na Amazônia. Esses instrumentos são essenciais para a proteção dos territórios e para melhoria da qualidade de vida dos povos e comunidades tradicionais que os habitam ou fazem uso deles”, explica a pesquisadora.

Entre os projetos de campo, Pereira destaca o Programa Agentes Ambientais Comunitários (AAC), criado pelo Imazon em 2015 em parceria com o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio). A iniciativa visa capacitar representantes de povos e comunidades tradicionais para atuarem ativamente na melhoria da gestão ambiental dos territórios. “O programa oferece um ciclo de formação para que as pessoas possam implementar ações em educação ambiental, monitoramento e geração de renda em suas comunidades”, comenta. Em curso até hoje, a iniciativa já capacitou mais de 100 voluntários no Pará e possui um guia de implementação.

Encontro reuniu agentes ambientais comunitários em Monte Alegre, em 2023 (Foto: Fernanda da Costa/Imazon)
Encontro reuniu agentes ambientais comunitários em Monte Alegre, em 2023 (Foto: Fernanda da Costa/Imazon)

Além disso, o instituto têm apoiado diretamente povos e comunidades tradicionais que residem em áreas protegidas com projetos de educação ambiental e geração de renda de forma sustentável. Um exemplo disso é a parceria com a Cooperativa Mista dos Povos e Comunidades Tradicionais da Calha Norte (Coopaflora), criada em 2019 no município de Oriximiná, no Norte do Pará, para fortalecer a bioeconomia de extrativistas, indígenas e quilombolas da região. Desde o nascimento da entidade, o Imazon tem atuado com projetos de apoio administrativo e formação técnica aos cooperados.

Outro exemplo é o apoio do Imazon para a criação e o desenvolvimento de projetos de Turismo de Base Comunitária (TBC), como o “Roteiros Amoflota”, moradores da Floresta Estadual (Flota) de Faro. A iniciativa foi lançada em 2024 após o instituto levar lideranças do território para conhecerem projetos de sucesso no Amazonas e fornecer cursos de finanças para negócios sustentáveis, condução de trilha e de pesca, produção de artesanato com madeira caída e comunicação. Além de doar uma lancha para transporte dos turistas, coletes salva-vidas, máscaras de mergulho e materiais de divulgação.

Trilha turística na Flota de Faro (Foto: Márcio Nagano/Imazon)
Trilha turística na Flota de Faro (Foto: Márcio Nagano/Imazon)

Apoio à expedição que encontrou a quarta maior árvore do planeta


Em 2022, o Imazon também apoiou a expedição que encontrou a maior árvore da Amazônia e a 4ª maior do mundo, na Floresta Estadual (Flota) do Paru, no norte do Pará. Trata-se de um angelim-vermelho de 88,5 metros de altura, o equivalente a quase 2,5 vezes o tamanho do Cristo Redentor, com idade estimada em 600 anos.

O problema é que o território que abriga essa gigante estava ameaçado pelo avanço do desmatamento e do garimpo, o que motivou o instituto a criar a campanha Proteja as Árvores Gigantes, no mesmo ano. Depois do lançamento da iniciativa, em 2023, mais cerca de 500 Cadastros Ambientais Rurais (CARs) que estavam sobrepostos à Flota foram cancelados pelo governo do estado.

Angelim-vermelho de 88,5 metros de altura na Flota do Paru, no Pará, é a maior árvore da Amazônia e a 4ª maior do mundo (Foto: Havita Rigamonti/Imazon/Ideflor)
Angelim-vermelho de 88,5 metros de altura na Flota do Paru, no Pará, é a maior árvore da Amazônia e a 4ª maior do mundo (Foto: Havita Rigamonti/Imazon/Ideflor)

Monitoramento da biodiversidade

Em 2024, o Imazon também ingressou em outra área de atuação dentro da temática de conservação: o monitoramento da biodiversidade. Esse trabalho, que incluirá a instalação de câmeras e outras tecnologias para acompanhar os animais, faz parte de uma iniciativa maior de proteção territorial: o Programa Grande Tumucumaque, que está sendo realizado em parceria com o Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé) e terá duração de 15 anos.

Integrantes da AMIWA (Articulação de Mulheres Indígenas Wayana e Aparai) na pista da Aldeia Bona, Tumucumaque Leste (Foto: Nacip Mahmud)
Integrantes da AMIWA (Articulação de Mulheres Indígenas Wayana e Aparai) na pista da Aldeia Bona, Tumucumaque Leste (Foto: Nacip Mahmud)

Localizada no estado do Pará, região do Grande Tumucumaque faz parte do chamado “Escudo das Guianas”, uma das áreas megadiversas do planeta e lar de inúmeras espécies ameaçadas de extinção e endêmicas (que só ocorrem no local). “Esse tipo de monitoramento da biodiversidade é uma novidade para o Imazon, mas o programa prevê outras ações com as quais trabalhamos há anos, como a implementação dos planos de manejo das unidades de conservação, e com as quais o Iepé possui vasta experiência, como a implementação os planos de gestão territorial das terras indígenas”, explica Pereira.

A pesquisadora também destaca a duração de uma década e meia do programa, o que possibilitará um monitoramento de longo prazo da biodiversidade da região. “Sabemos que para esse tipo de trabalho não adianta você ir na floresta uma vez e coletar os dados, é preciso realizar um acompanhamento constante. Nestes 15 anos, poderemos observar inclusive como as mudanças climáticas estão impactando esse centro de endemismo, além de termos chance de descobrir novas espécies”, completa a pesquisadora.

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